10 de julho de 2026
Regional

IBGE: Bauru ganha 2,5 mil habitantes e sete cidades da região encolhem

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 7 min

Éder Azevedo

Borá, que já foi a menor cidade do País, agora é a segunda com 835 pessoas, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE

Somente nos últimos 12 meses, Bauru ganhou 2,5 mil novos habitantes, segundo estimativa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número é equivalente ao triplo da população de Borá, o menor município do Estado de São Paulo (leia mais na página 17).

 

De acordo com o estudo, em 1º de julho de 2014, Bauru já contava com 364.562 moradores, ante os 362.062 contabilizados na estimativa do ano passado. 

 

O crescimento, de 0,69%, é levemente superior ao da Capital, de 0,63%, mas menor do que de cidades paulistas de porte semelhante, como Piracicaba (0,81%), Franca (0,81%) e São José do Rio Preto (0,99%).

 

A taxa de Bauru é inferior, também, do que os índices gerais registrados por municípios de médio porte, que possuem entre 100 mil e 500 mil habitantes. Nesta faixa, o aumento populacional foi de 1,12% entre 2013 e este ano. Segundo análise do IBGE, estas cidades apresentaram as maiores médias porque, em geral, “são importantes centros regionais em seus estados ou integram as principais regiões metropolitanas do país, configurando-se como áreas de atratividade migratória” (leia mais na página 20). 

 

Já o índice nas localidades com mais de 500 mil habitantes foi menos acentuado (0,84%), influenciado pelo “ritmo lento de crescimento de algumas das principais capitais e núcleos metropolitanos” que vem sendo registrado há algum tempo.

 

Mas são os pequenos municípios com até 100 mil habitantes que apresentaram as menores taxas de aumento populacional (0,72%), que podem ser explicadas por um êxodo “influenciado pelo baixo dinamismo econômico”. E Bauru apresentou menor índice de crescimento do que as três faixas populacionais consideradas pela análise do IBGE. 

 

Positivo

 

Segundo a geógrafa Linia Maria Bilac Garrone, professora da Universidade Sagrado Coração (USC), ainda não é possível precisar os motivos para o desempenho aquém da média. O economista Reinaldo Cafeo destaca, no entanto, que nem sempre a redução do ritmo de crescimento é um sinal negativo para a cidade.

 

Linia observa que em cidades de países ainda em desenvolvimento como o Brasil, o aumento populacional pode estar relacionado a diversos fatores, como a oferta de emprego e estudo, bem como qualidade e custo de vida. “As estatísticas certamente refletem uma realidade, mas não dá para depreender, sem uma análise qualitativa, que há falta desta lista de atrativos em Bauru”, pondera.

 

Reinaldo Cafeo vai além e pondera que, em muitos casos, a desaceleração do ritmo de crescimento populacional pode ser um fator positivo para a cidade. “Se a geração de riquezas continua aumentando e a população fica estável, o PIB per capita tende a crescer também”, observa, lembrando ainda que esta estabilidade tende a reduzir os gargalos em saúde, educação, saneamento, habitação e mobilidade urbana. 

 

Crescimento

 

Segundo dados do IBGE, em 23 anos, a população de Bauru cresceu 39,6%. Em 1991, a cidade contava com 261.111 habitantes, que passaram para 316.064 em 2000. Já em 2010, somava 343.937 com estimativa de ter chegado a 348.146 habitantes em julho de 2012. No ano seguinte, o número já foi para 362.062. 

 

O estudo

 

A estimativa populacional do IBGE foi calculada tomando-se como base as populações observadas nos censos de 2000 e 2010, bem como informações mais recentes dos nascimentos e óbitos. Conforme o instituto, as estimativas são para o cálculo de indicadores e um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União. 

 

Parte da população é desconsiderada

 

Entre os motivos que o economista Reinaldo Cafeo considera que podem ajudar a explicar a queda está o fato de muitas pessoas, embora profissionalmente vinculadas à cidade, terem optado por morar em municípios vizinhos, em busca de maior tranquilidade. 

 

“Outro aspecto é que as pessoas que estão na cidade para estudar (chamadas de “população flutuante”) ficam fora das estatísticas, embora consumam, trabalhem e gerem renda para a cidade”, detalha.

 

Cafeo ainda cita o fato de, entre 2012 e 2013, a população de Bauru ter aumentado 4%, com acréscimo de quase 14 mil novos moradores em apenas um ano. “É normal que, depois de um grande salto, haja um crescimento marginal, já que a base de comparação era elevada”, frisa.

 

‘Considerar’

 

A geógrafa Linia Garrone pondera ainda que, por mais que o aumento seja lento, a população continua crescendo e que, neste contexto, também é importante considerar não apenas os movimentos migratórios, mas também o comportamento das taxas de natalidade e óbito do município. 

 

Ela destaca que, de modo geral, o Brasil está crescendo menos, num movimento já consolidado em países desenvolvidos - com  número de nascimentos em declínio, mas ainda superior ao de mortes, já que a população vive cada vez mais. 

 

Estado e País

 

O crescimento populacional de Bauru também está abaixo das médias registradas pelo Estado e pelo País. Segundo a estimativa do IBGE, o Brasil contava, em 1º de julho, com uma população de 202.768.562 habitantes, 0,86% a mais do que o apontado pelo levantamento do ano passado. No Estado, a estimativa é de 44.035.304, um crescimento de 0,85% em relação a 2013.

 

Cidades da região 'encolhem'

O número de habitantes vem decaindo em cidades pequenas na região de Bauru, seguindo a mesma tendência dos municípios brasileiros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem uma nova lista de estimativa de habitantes. Em sete dos 52 localizados no entorno de Bauru houve redução no número de habitante. Uru, por exemplo, apresentou a maior queda (-0,96%) em comparação a quantidade de pessoas do recenseamento do ano passado. Esse município é o 9º dos 25 menores do País. Borá agora é o segundo com menos de 800 habitantes do País e ainda o menor de São Paulo.

 

Os municípios que ostentam maior taxa de crescimento populacional na região são Balbinos e Iaras, por causa da população carcerária e sem-terra. 

 

Os presídios “inflaram” a quantidade de habitantes de Balbinos de 3.674 para 4.629 (4,42%) e Iaras de 6.374 foi para 7.704 (3,67%). Esta última, no entanto, também recebeu população flutuante, principalmente por conta de assentamentos e de áreas ocupadas por sem-terra.

 

As cidades médias registram um crescimento na taxa de população. Jaú teve um acréscimo de 1,16% em um ano. Na última estimativa havia 132.617 pessoas e nos números divulgados ontem são 141.703.

 

Botucatu também cresceu 1,20%, média alta na lista de “médio porte”, que possuem entre 100 mil e 500 mil habitantes com 1,12% de índice de crescimento nacional. Os botucatuenses estão com 137.899 contra 128.660 registrado em 2013.

 

As cidades com índice negativo na região são Cabrália Paulista (-0,45%), Duartina (-0,07%), Gália (-0,90%), Pongaí (-0,40%), Presidente Alves (-0,31%), Uru (-0,96%) e Vera Cruz (-0,16%).

 

Borá é vice

 

Serra da Saudade, no Estado das Minas Gerais, é o município brasileiro de menor população, estimada em 822 habitantes em 2014, seguido de Borá, em São Paulo, com 835 habitantes. Atualmente, esses dois municípios são os únicos no País com menos de mil habitantes em 1 de julho de 2014. A população dos 25 municípios menos populosos soma 32.946 habitantes, representando aproximadamente 0,02% da população total do Brasil. A cidade de Uru (91 quilômetros de Bauru) é nona menor do País.

 

Zona rural esvazia município de Uru, diz prefeito

 

O prefeito de Uru, Benedito José Ribeiro (PSDB), reconhece que nos últimos anos vem decaindo o número de habitantes no município.

 

Pelo IBGE, até julho havia 1.240 pessoas - seis a menos da estimativa do ano passado. Em percentual é o que aponta declínio na taxa populacional na região (-0,96%). “O problema é a população da zona rural que acabou indo embora do município”, diz o prefeito. Segundo ele, a cana-de-açúcar e a laranja são as duas culturas agrícolas que predominam na cidade. “A cana só usa mão de obra de fora, isso espanta o morador”, afirma.

 

O número menor de habitante influencia negativamente no repasse de recursos dos governos federal e estadual. Ele serve para cálculo de alguns indicadores. “A população vem diminuindo infelizmente. A cidade tem mais eleitor do que habitante, porque vem muita gente de fora, depois vai embora e não transfere o título”, afirma. O JC apurou que Uru tem 1.240 habitantes e 1.485 alistados no cartório eleitoral.

 

Pederneiras  ganha 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a nova estimativa populacional e isso consequentemente afetará os coeficientes de 2015 do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). 

 

Na região de Bauru, só consta Pederneiras como a beneficiada no coeficiente. Nos dados divulgados ontem o município está com 44.498 (0,96% de acréscimo populacional em um ano) o suficiente para subir de 2 para 2,2 no índice do FPM. Mas a cidade não tem muito a comemorar: deve sofrer queda de receita no ano que vem em repasses estaduais por conta da redução na navegação no rio Tietê provocada pela prolongada estiagem.