Desde segunda-feira a população de Bauru paga mais caro pelo combustível, que teve um aumento médio entre R$ 0,25 e R$ 0,30 por litro.
A majoração se refere especificamente aos valores do etanol (que subiu 18,9%) e gasolina (+8,2%), em média.
De acordo com Wagner Siqueira, 51 anos, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), a alta ocorreu devido a uma “guerra” de preços promovida pelas companhias distribuidoras – fato que se estende há mais de dois anos.
Com o intuito de disputar a preferência do consumidor final, estas empresas subsidiavam o combustível à venda nos postos.
Há algum tempo, o incentivo foi retirado, fator que inviabilizou a manutenção dos preços no patamar anterior.
Para Siqueira, o valor atual médio de R$ 1,89 para o etanol (era R$ 1,59) e R$ 2,89 a gasolina (era R$ 2,67) corrige a defasagem de valores que vigorava na cidade.
“O valor praticado em Bauru até o reajuste desta semana era irreal, pois os revendedores estavam levando prejuízo por não repassar ao cliente o corte dos incentivos dados pelas companhias anteriormente”, afirma.
O diretor da Sincopetro também pontuou que o valor do diesel não sofreu alteração, pois o produto não fazia parte da “guerra” de mercados, já que normalmente é comercializado a setores específicos, formado em sua maior parte por caminhoneiros e empresas.
José Mario Pinho de Assis, 71, gerente de um posto de combustível na avenida Duque de Caxias, afirma que o reajuste desta semana não está fora da realidade, já que mesmo com a alta nos preços, o consumidor de Bauru ainda paga menos que o de outras cidades do estado. Porém, reconhece os novos valores assustaram os clientes.
“O meu movimento caiu muito: eu vendia nove mil litros na semana e a média caiu para 4 mil litros”, reclama.
Fala, motorista!
O médico Paulo Grossi, 45 anos, foi pego de surpresa na hora de encher o tanque e calcula que a despesa com transporte irá aumentar, já que a locomoção dele e da esposa depende de dois carros. Para encaixar o novo gasto no orçamento, diz: “Lazer nos fins de semana deverá ser repensado”.
Opinião também compartilhada pela artesã Dinah Ribeiro, 59, que afirma “ter certeza da necessidade de cortar gastos para compensar a alta no combustível”.
Já Cléber Magri, 35, está preocupado com o reajuste. O taxista, que abastece o carro diariamente, prevê um aumento de R$ 22,00 no valor do tanque de combustível, fator que e agrava por não poder repassar o custo para seus clientes.
“Taxista legalizado não pode aumentar valores hoje, pois possui o taxímetro fiscalizado pelo Inmetro. Portanto, se eu consigo economizar na compra do combustível, é melhor para o meu bolso”.
E vale ficar de olho: o governo federal estuda um reajuste antes do fim do ano.