07 de julho de 2026
Saúde

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JC Saúde
| Tempo de leitura: 4 min

Câncer x fumantes
Um levantamento do Icesp revelou que 65% dos fumantes com câncer atendidos no hospital estadual não conseguem largar o cigarro mesmo após receber o diagnóstico da doença. E que cerca de 25% do total de pacientes atendidos na instituição nos últimos anos têm histórico de tabagismo.

Homens e mulheres
O estudo mostrou também que 70% dos pacientes homens e 40% das mulheres com tumores de bexiga são ou foram fumantes. Dentre os diversos tipos de tumores que podem ser desenvolvidos devido ao uso de cigarros também estão as que se manifestam na região da cabeça e pescoço, como o câncer de laringe. Dos pacientes tratados nesse serviço, 83% são fumantes ou têm histórico de tabagismo. Os efeitos nocivos que o cigarro provoca são extremamente prejudiciais para os pacientes em tratamento, dificultando a cicatrização após cirurgias oncológicas e aumentando o risco de complicações durante o período de radioterapia, por exemplo.

Danos

"O cigarro é uma das fontes de poluição ambiental mais perigosa. Os danos atingem todo o corpo e estão ligados a outros graves problemas de saúde como as doenças cardiovasculares. Quem convive com fumantes também é atingido tornando-se um tabagista passivo. Ao inalar a fumaça do cigarro passa a ter mais chances de desenvolver tumores", ressalta o médico coordenador do Grupo de Apoio ao Tabagista do Icesp, Frederico Fernandes.

Obesidade e consumo dietético
A obesidade é um problema de saúde crescente e, considerável evidência demonstra que em torno de 40% a 70% da variação de índice de massa corporal da população ocorre por fatores genéticos. No entanto, o rápido crescimento da prevalência da obesidade e do sobrepeso no mundo vai contra uma etiologia somente genética. O risco é provavelmente mais determinado por mudanças ambientais e de interações complexas entre a genética e os fatores ambientais, como o maior consumo energético e o menor gasto energético.

Gene da massa gorda
Muitos estudos com o gene da massa gorda e associado à obesidade (FTO) tem indicado que os fatores ambientais como a composição da dieta e o nível de atividade física podem modificar a susceptibilidade genética ao desenvolvimento da obesidade. Além dos estudos com o FTO, outros identificaram diferentes polimorfismos (alterações genéticas) estão localizados ou próximos aos genes relacionados a regulação do apetite. Alguns pesquisadores acreditam que o conteúdo relativo das gorduras dietéticas, carboidratos, proteínas ou fibras possam influenciar o risco genético de ser obeso. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam a necessidade de mais estudos.

Metabolismo de ferro
O ferro é um mineral presente principalmente nas carnes vermelhas e brancas essencial para a sobrevivência e proliferação celular. Sua deficiência pode causar anemia, provocando uma queda na performance física e mental. Por outro lado, o seu excesso nos tecidos está relacionado com muitas doenças como as neurodegenerativas, câncer, diabetes tipo 2 e doença coronariana. É necessário salientar que a maioria do ferro acumulado como ferritina não estimula a produção de espécies reativas de oxigênio, no entanto, alguns estudos sugerem que o ferro contribui para o estresse oxidativo em concentrações normais nos humanos.

Sedentarismo
O sedentarismo talvez possa ser responsável pelo acúmulo de ferro corporal, no entanto, até agora não existem evidências convincentes à respeito. Estudos com atletas indicam que o exercício regular está associado com menores níveis de ferro corporal. Os pesquisadores acreditam que mudanças no metabolismo do ferro induzidas pelo exercício são necessárias para um estilo de vida saudável e para a prevenção de doenças. A hepcidina é um hormônio regulador de ferro que media a homeostase das concentrações extracelulares deste. Sua síntese é aumentada pela concentração aumentada do ferro, queda na atividade eritropoiética e durante a inflamação. Os níveis aumentados de hepcidina podem causar uma redução na absorção de ferro pelo duodeno.

Envelhecimento
O ferro está implicado na patogênese de várias doenças relacionadas ao envelhecimento. As concentrações de ferro dependentes da idade aumentadas tem sido observadas em animais no cérebro, fígado e coração. Níveis teciduais altos de ferro estão associados com um aumento no estresse oxidativo ou nitrativo, o que contribui para o dano tecidual aumentando o risco de doenças. Autores sugerem que o exercício regular e a restrição/equilíbrio de ferro na dieta podem ser as maneiras para diminuir a taxa de neurodegeneração.

Glicemia materna
O ambiente uterino afeta o desenvolvimento fetal de muitas maneiras, desde o desenvolvimento cognitivo ao desenvolvimento de órgãos fetais, crescimento e deposição de gordura. Fatores ambientais os quais a gestante está exposta resultam em mudanças epigenéticas as quais impactam a transcripção fetal genética e afeta o feto de forma diferente dependendo do estágio da gestação. A dieta materna durante a gravidez proporciona todos os nutrientes requisitados pelo feto para o seu desenvolvimento e crescimento, no entanto, o status nutricional materno pré-gestação e estilo de vida também são importantes.