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João Rosan |
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Jazigo da família de Virgílio Malta poderá ser restaurado pelo município |
A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) calcula que cerca de 1 mil jazigos estejam em situação de abandono nos cinco cemitérios administrados pela autarquia. São sepulturas que não recebem cuidados de familiares há muitos anos e que estão castigadas pela ação do tempo e até mesmo de vândalos.
A informação é de que alguns deles, inclusive, abriguem personalidades históricas do município, como a do ex-prefeito Virgílio Malta. A partir de hoje, a empresa inicia uma força-tarefa para tentar localizar os proprietários destes jazigos em processo de ruína. Ao todo, Bauru conta com 16.761 sepulturas, distribuídas nos cemitérios da Saudade, São Benedito, Redentor, Cristo Rei e São Pedro (de Tibiriçá). Segundo o gerente de necrópoles e funerária da Emdurb, Fábio Luiz Nalli, o Cemitério do Redentor concentra grande parte dos túmulos esquecidos, embora o problema também se estenda para as demais necrópoles.
Em algumas situações, o abandono ultrapassa quatro décadas, como é o caso de um jazigo da família Malta, localizado no Cemitério da Saudade e onde está enterrado Virgílio Malta. “Não temos nenhum contato com qualquer parente desde 1971”, comenta Nalli. Mas, como se trata de um jazigo histórico, o gerente explica que há um plano envolvendo as secretarias municipais de Obras e de Cultura para restaurá-lo.
Sem que a Emdurb consiga contato com a grande maioria dos titulares das sepulturas abandonadas, danos acidentais provocados por reformas em jazigos vizinhos, furtos de peças de bronze ou, em casos mais raros, violações de túmulos para retirada de dentes de ouro acabam não sendo comunicados aos familiares. Mas Nalli explica que, felizmente, as ações criminosas – que eram frequentes, no passado, principalmente nos cemitérios do Redentor e Cristo Rei – vêm diminuindo nos últimos anos.
“Hoje, para evitar esse tipo de situação, as famílias têm optado por não deixar qualquer adorno de valor sobre a lápide ou dentro da urna (caixão). Até mesmo dentes de ouro vêm sendo retirados antes do sepultamento. Mas isso, por si só, não resolve o problema da falta de manutenção”, comenta.
Força-tarefa
Segundo o gerente, o abandono chega a tal ponto que jazigos correm risco até mesmo de desmoronar devido a rachaduras e infiltrações no calçamento, cuja reforma deveria ser providenciada pela família. Para tentar regularizar esta situação e minimizar as dificuldades de comunicação, no começo do ano a Emdurb iniciou a atualização do cadastro dos titulares.
Até o momento, no entanto, apenas 5 mil foram contatados. “Fomos fazendo a atualização dos dados conforme as famílias iam aos cemitérios para sepultar seus entes e também quando ingressavam com pedido de transferência de titularidade”, detalha Nalli. Mas cerca de 11,7 mil registros ainda continuam desatualizados – o equivalente a cerca de 70% do total.
Nesta semana, a autarquia anunciou que, entre 1º de setembro e 15 de outubro, desenvolverá uma força-tarefa para tentar atualizar os cadastros e, para tanto, solicita que os titulares ou familiares entrem em contato com a administração dos cemitérios ou com a funerária municipal. Munido de documentos pessoais, o concessionário deverá procurar a funerária de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, ou a administração dos cemitérios, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 12h e das 13h às 17h30.
Retomada
Se a Emdurb entender que a retomada do jazigo abandonado seja a solução mais viável e adequada, o titular será procurado e, se não for localizado, um comunicado será publicado em três edições do Diário Oficial do Município e em jornais locais. Se nenhum familiar entrar em contato, após 30 dias o processo de retomada do terreno tem início, para que seja repassado a outra pessoa. Assim que todos os trâmites forem concluídos, os restos mortais coletados da sepultura são encaminhados ao ossuário municipal, onde ficarão armazenados por tempo indeterminado em embalagens plásticas.
Serviço
O Cemitério Saudade fica na rua Hermínio Pinto, 2-1, na Vila Cardia (telefone 3227-6988). Já o Cemitério São Benedito está localizado na avenida Castelo Branco, quadra 8 (telefone 3236-3357). O Cemitério Redentor fica na avenida Engenheiro Hélio Pólice, quadra 6 (telefone 3203-6338). O Cemitério Cristo Rei localiza-se na rua Nelson Tosoni Decarlis, 2-91 (telefone 3232-4600. O Cemitério São Pedro, por sua vez, está localizado na rua Figueira de Mello, nº 5, distrito de Tibiriçá (telefone 3279-1145). A funerária municipal fica na avenida Rodrigues Alves, quadra 19 (telefone 3224-1322).
Virgílio Malta
Virgílio de Toledo Malta foi prefeito de Bauru entre 15 de janeiro de 1923 e 15 de janeiro de 1924. Antes, foi vereador e presidente da Câmara Municipal, de 1920 a 1922.