Assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho Raoni Vilas Boas, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 28 anos, o Cadu, não tem condições de viver em sociedade. A afirmação é do delegado que o prendeu, Thiago Damasceno Ribeiro.
Para ele, Cadu faz parte de uma quadrilha especializada em roubo de carros e possivelmente tráfico de drogas em Goiânia. “Ele parece ser mais dissimulado do que propriamente um deficiente mental. Eu não tenho a competência para afirmar isso, pois não sou médico, mas é visível que Carlos Eduardo não tem condições de viver em sociedade”, afirmou.
Cadu foi preso anteontem em Goiânia com um veículo roubado e é suspeito de ter cometido um latrocínio (roubo seguido de morte) e uma tentativa de latrocínio.
Após ter confessado o crime contra Glauco e o filho, em 2010, Cadu recebeu autorização da Justiça para deixar a clínica psiquiátrica onde estava internado, receber tratamento para esquizofrenia e retornar para a casa de seus pais, em Goiânia, em 2013.
Após a prisão de anteontem, o delegado afirma não saber se a inimputabilidade de Cadu será mantida, mas diz que, para os novos crimes, ele passará por outro julgamento.
De acordo com o delegado, depois de ouvir duas testemunhas e analisar um vídeo gravado na última quinta-feira, Cadu é o principal suspeito da tentativa de assassinato.
Nas imagens, disse o delegado, um sujeito “branco, loiro e de estatura média” foi visto apontando e efetuando disparos contra o agente prisional Marcos Vinícius Lemes de Abadia, 45 anos, que está hospitalizado em estado grave.
Nos próximos dias, será ouvida a namorada do estudante Matheus Pinheiro de Morais, 21 anos, assassinado no domingo. O carro de Morais, um Honda Fit branco, foi o motivo de prisão de Cadu no dia seguinte.
À polícia, o assassino confesso de Glauco negou ter atirado contra Morais e Abadia, mas disse que sabia que o veículo usado por ele era roubado.
Segundo o delegado, exames de balística vão determinar, nos próximos dias, se a arma apreendida com Cadu foi a mesma usada nos dois crimes de Goiânia.
A juíza Telma Aparecida Alves disse ontem que não se arrepende de ter concedido liberdade a Cadu. Telma disse ainda que “o rapaz não deve ser condenado pelo crime”. Ela levou em consideração os laudos psiquiátricos de Cadu, que, segundo a juíza, “atestam que ele sofre de esquizofrenia, ou seja, não pode responder na justiça pelos atos praticados”.