Antes que os sindicalistas, os de esquerda e tantos outros que ainda defendem a luta "capital/trabalho" entendam erroneamente o título deste artigo, quero deixar claro que escreverei sobre o desejo daquele empresário que não pratica o capitalismo selvagem, é cumpridor de suas obrigações, gerador de riqueza e empregos. Em meio a notícias de recessão técnica (mesmo com pequeno respiro no desempenho industrial em julho), inflação perto do limite superior da meta, falta de um modelo econômico consistente, com câmbio defasado, com gargalos em infraestrutura, o que efetivamente o meio empresarial brasileiro deseja? Ter condições mínimas para continuar a empreender.
Tenho acompanhado inúmeras empresas em sua luta diária em busca de vendas. Sacrificam margens de lucro, oferecem descontos, investem em publicidade, apostam em ideias criativas. O resultado: pífio. Há uma crise de confiança instalada no mercado. Observo ainda empresas e empresários convivendo com inadimplência. Venderam e não recebem. Quando precisam de crédito, bancos são seletivos, "estão com aversão ao risco", e o capital de giro que permitiria contornar os momentos mais agudos de baixa venda ou inadimplência não está disponível, e quando está, as exigências em termos de garantia são absurdas.
O meio empresarial, este empresário empreendedor, ético, quer um mínimo de condições para continuar a empreender. Ele quer recolher os tributos, mas gostaria que a carga tributária fosse menor, para tornar o seu produto mais competitivo. Ele quer juros com padrão internacional, e não juros exorbitantes como é o caso brasileiro. Este empresário quer manter sua equipe de profissionais e até contratar tantos outros, mas quer alívio nos encargos sociais sobre a folha de salários. O empresário brasileiro está consciente em praticar a responsabilidade social de suas organizações. Investem no balanço social positivo. Muitos já estabeleceram planos de benefícios, que aliados ao plano de carreira, oferecem segurança àqueles que o ajuda a empreender.
O meio empresarial quer garantir margem de lucro? Sim, pois ninguém irá arriscar seu capital sem que haja o retorno adequado a este risco. Em meio às pesquisas eleitorais, decisões inconsistentes da equipe econômica do governo Federal, muitas oportunistas, está este empresário/empreendedor querendo algo de otimista para se segurar, uma luz no fim do túnel, pois ele sabe do potencial enorme que é o mercado brasileiro, mas que neste momento está perto do fundo do poço. É um momento delicado, em que os principais executivos das organizações estão debruçados sobre o planejamento realizado no final do ano passado, analisando os orçamentos, em busca de alternativas para contornar este momento agudo da economia brasileira, sem desconstruir tudo que foi realizado ao longo de muitos anos.
Em resumo: um pequeno sinal positivo que possa vir do ambiente econômico já permitirá a mudança do humor daqueles que operam o mercado. Não é pedir muito, mas é o necessário!
O autor é economista e articulista do JC