Madrugada do último sábado, relógio marcando 00h52m, passava eu tranquilamente pela avenida dr. Nuno de Assis, mais precisamente na altura do trevo de acesso para a rodovia Marechal Rondon, sentido capital, quando avistei algo que despertou minha atenção. Ignorei o ponto de saída do trevo e me dirigi até o local avistado a fim de constatar se minha visão não teria sido apenas miragem.
Fiquei surpreso, tratava-se de uma carroça, um cavalo e seu condutor que, apesar do adiantado das horas ainda fazia entregas, e olha que não era somente frete não, o homem tinha outras habilidades profissionais, era também ?decorador?, pois transportava um lindo sofá de três lugares com o qual já se preparava para remodelar aquela parte do leito do já tão maravilhosamente ornamentado rio Bauru.
Então, falei: - Ei, cidadão, o senhor vai deixar essa carga aí no rio?
- Vô, sim! Pruque, tem argum pobrema?
Amigos, nesse momento ele saiu de traz do cavalo e foi para onde tinha mais luz, e foi quando notei que, o cavalo perto dele mais parecia um pônei!
Pensei rápido e perguntei: - De quanto é o frete que o senhor está recebendo para entregar essa carga?
- R$ 10 - deizão!
- Muito bem, lhe dou mais R$ 10 ? deizão e o senhor entrega em um lugar que não cause danos à natureza, pode ser?
Novamente fui surpreendido, conheci mais uma profissão daquele homem que pode não ter frequentado escolas, mas se mostrou um bom negociador.
Pediu R$ 20 - vintão e ainda disse que eu poderia levar o sofá!
Acertos à parte e devido à minuta estar preenchida com o erro no endereço para entrega, a carga foi reenviada para a loja de origem.
Nivaldo Rezende - corretor de imóveis em Bauru