09 de julho de 2026
Internacional

Contra ebola, Serra Leoa confina população

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O governo de Serra Leoa decidiu confinar a população em casa durante três dias para tentar conter o surto de ebola no país."O confinamento significa que as pessoas, com exceção daquelas essenciais ao serviço médico, não serão autorizadas a circular", afirmou o porta-voz do governo, Abdulai Barratay.

 

Cerca de 21 mil pessoas serão recrutadas para ajudar a controlar o confinamento. Policiais e soldados foram convocados para assegurar a quarentena nas áreas mais afetadas do país, um dos mais atingidos pelo surto de ebola no oeste da África, ao lado de Guiné e Libéria.

 

A medida é uma tentativa de evitar que a doença se espalhe ainda mais e de permitir que os profissionais de saúde identifiquem casos nos estágios iniciais da doença, segundo Ibrahim Ben Kargbo, assessor presidencial para a força-tarefa contra o ebola no país africano -onde foram registrados 491 mortes e 1.216 casos desde o início da epidemia, em março."A abordagem agressiva é necessária para lidar com a propagação do ebola", afirmou Kargbo.

 

Raiva

Em Monróvia, palco, na última semana, da fuga de um paciente, filmado cambaleando num mercado de rua em busca de comida, a presidente da Libéria tem sido alvo de raiva da população.

 

Moradores aterrorizados disseram que o paciente foi o quinto nas últimas semanas a escapar de um hospital, que enfrenta falta de pessoal.

 

Para muitos no país, o governo da presidente Ellen Johnson Sirleaf não tem feito o suficiente para protegê-los do vírus. "Os pacientes estão com fome, morrendo de fome. Não têm comida ou água", disse uma mulher. "O governo precisa fazer mais", afirmou à agência Reuters.

 

O Ebola matou 871 pessoas na Libéria desde seu ressurgimento, há seis meses. Já são 1.698 casos no país.

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz por sua luta pelos direitos das mulheres, Johnson Sirleaf fazia progressos na reconstrução da Libéria após a guerra civil que durou de 1989 a 2003, quando começou o surto da doença.

 

"Cuidado e atenção têm de ser dados às pessoas que mais precisam, e podemos falar de política depois", afirmou o ministro da Informação Lewis Brown. "Estamos numa situação melhor do que estávamos semanas atrás."

 

Johnson Sirleaf tomou medidas como declarar estado de emergência no mês passado, o que levou ao fechamento de escolas para tentar parar a contaminação. Também suspendeu o expediente de funcionários do governo.

 

Mas a doença é mais rápida. A organização Médicos Sem Fronteiras estima que na última semana mais 800 leitos seriam necessários apenas na capital. "Distúrbios localizados e críticas às falhas do devem aumentar com a piora da situação e a resposta inadequada das autoridades", advertiu um analista.