08 de julho de 2026
Geral

Ciência já 'decreta' fim da idade como a conhecemos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 10 min

Você sabe a idade que tem? Parece uma pergunta de resposta simples e imediata, mas novas perspectivas científicas e sociais indicam que não. Definitivamente, idade cronológica não tem nada a ver com a idade verdadeira, a biológica. 

 

A idade cronológica é o número de anos, dias e até horas desde o nascimento. A idade biológica é o número de anos que o nosso corpo carrega. A idade cronológica e a biológica nem sempre coincidem. Aliás, cada vez coincidem menos. 

 

Para Markus Schafer, autor de estudo sobre o tema na Universidade de Pordue, nos Estados Unidos,  “a idade subjetiva tem um efeito mais forte do que a cronológica”. 

 

De fato, de uns dez anos para cá, o estudo sobre idade evoluiu muito. Especialmente nas duas pontas. A adolescência, por exemplo, já vai até os 25 anos cronológicos em média. E a chamada terceira idade já não é mais a mesma. Afinal, muitos que já passaram dos 60 não devem nada aos mais jovens. 

 

FÓRMULA

 

Se a idade cronológica está relacionada simplesmente ao tempo de vida de uma pessoa, a biológica está relacionada ao envelhecimento das células que, por sua vez, está diretamente ligada aos hábitos e determina a qualidade de vida. Essa idade biológica pode até ser modificada em função do local onde se nasceu, do tipo de alimentação que cada um tem desde pequeno e depende das escolhas.

 

Os cientistas já desenvolveram uma fórmula para saber qual é a idade biológica de cada pessoa: trata-se da “Calculadora da Idade Biológica”. Está até disponível na internet. 

 

A calculadora leva em conta a idade cronológica, claro, mas inclui aspectos como genética e cardiopatias (doenças do coração). 

 

Se você tem um histórico de família com parentes que vivem muito, entram na idade avançada, é bem certo de que sua tendência a ter uma vida longa, seja grande.

 

O risco de mortalidade por cardiopatias também é determinante. Pessoas com familiares com muito histórico de infartos tendem a repetir e ter infarto (aí entra o aspecto prevenção, porque sabendo a tendência, pode-se romper esse ciclo).

 

Os aspectos médicos que determinam um histórico de câncer, por exemplo, também são analisados. Os outros dois fatores fundamentais da calculadora são os aspectos psicológicos (tendência à depressão, satisfação com o emprego). 

 

Faça o teste  

 

Para calcular a sua idade biológica, basta acessar o site  https://pt.calcuworld.com/calculadoras-da-saude-e-de-exercicios/calculadora-da-idade-biologica/. Através dele, todo mundo tem uma ideia aproximada. 

 

Mas o mais importante mesmo é o teste feito com médicos, nutricionistas e psicólogos, em que serão medidos os cinco aspectos – cardiopatias, aspectos médicos, a alimentação, os aspectos psicológicos e o nível de segurança da vida de cada um. No aspecto médico os exames laboratoriais são fundamentais.

 

Exames de laboratório costumam ser fundamentais. Para um resultado preciso, é importante conhecer os níveis de colesterol; cortisol; F.S.H.; estradiol; lipoproteína A; índice de atividade inflamatória; e os níveis hormonais, como a progesterona, testosterona e TSH. 

 

Os exames físicos também são fundamentais. A flexibilidade, circunferência abdominal; percentual de gordura; pressão arterial; e resistência muscular são fundamentais. Bem como uma avaliação nutricional com exame de índice glicêmico (a tendência ao diabetes influencia muito) e a análise dos nutrientes da dieta. Com esses exames em mãos, é possível saber a verdadeira idade.

 

Mãe com pique e beleza aos 36

 

Cristina Bastos Pimentel tem 36 anos e não esconde a profissão: “mãe da Alice”. Ela confessa que nunca escondeu a idade, sempre a aceitou numa boa, “ainda mais que a maioria nunca diz a idade certa”: foi mãe com 32 anos. E poucos acreditam.

 

 “Quando a Alice nasceu, decidi que iria dedicar todo meu tempo a ela. Amamentei até os dois anos e meio, assumi meu papel de mãe com prazer”. Mas como assim mãe, se ninguém acredita na idade que ela tem? É que o mais interessante é quem vê Cristina não acredita mesmo que ela já passou dos 30. Muitos a encontram com a filhinha e acham que ela foi mãe adolescente. “Nossa, você é muito novinha” está acostumada a ouvir. “Só que não”, lembra ela. 

 

“Uma vez, no colégio, uma senhora me perguntou se era eu que levava a minha irmãzinha todos os dias. Coloquei um sorrisão no rosto e respondi: “Não é minha irmãzinha, é minha filha”. Aí, lá veio a Alice falando: “Bêença, mãe”. “Me senti né”, conta toda orgulhosa.

 

Mas Cristina faz uma crítica velada às mulheres que tentam parecer mais jovens através da vestimenta. “Não preciso usar microssaia, blusinha mostrando a barriguinha pra mostrar que aparento ser jovem.”

 

‘DUAS’

 

Cristina é também quase que uma criança ao lado da filha. “Adoro sair com a Alice, adoro festinhas de criança. Quando os brinquedos das festas são liberados, eu me acabo. Alice se diverte comigo. Brinco de bonecas, faço o mundo dela como se fosse o meu. Fazemos tudo junto. Alice adora leitura, desenhar, dançar. Fazemos nossas orações.  Não esquecendo que sou a mãe dela, e ela me deve respeito.” 

 

Uma vez no banco também. Cristina foi na fila preferencial de lactante. A atendente do caixa perguntou: “Precisa de ajuda? Essa fila é preferencial..”. E Cristina respondeu: “Sim, sou lactante!” . Ela ouviu uma voz: “Essas meninas tem filhos cedo, aposto que é a avó que cuida do filho”. “Ri muito”, conta e arremata: “Tenho certeza que é a felicidade que me faz ser jovem!”.

 

Mãos ‘denunciam’ idade

 

 Embora se preocupem muito com a pele do rosto e também com o corpo, as pessoas não ficam atentas que as mãos denunciam o passar dos anos. 

 

Existem no mercado alguns produtos anti-idade de fabricantes nacionais, que são muito bons para evitar a perda do viço e o aparecimento de manchas nas mãos. Também é possível cuidar dessa parte do corpo com receitas caseiras e baratas. 

 

Duas colheres de sopa de mel com uma colher de sopa de fubá dá um esfoliante caseiro excelente. Após esfregar por alguns minutos a mistura nas mãos basta lavá-las com água morna. Fugir dos produtos químicos (sempre usados nos afazeres domésticos é fundamental). Use luvas. E claro, se é indicado protetor solar para o corpo e rosto, por que não usá-lo nas mãos?

 

Adolescência ‘aumenta’ uma década

 

Sabe aquela frase: você já não é mais uma criança, você cresceu, já tem 15 anos, vai cuidar da vida? E o rito de passagem com o baile de debutantes da jovem aos 15? Pois, se isso for sinal de maturidade, esqueça.

 

Desde o ano passado, uma nova orientação foi feita para que os psicólogos americanos tratem como adolescentes os pacientes que têm até 25 anos, e não até os 15 ou 18 como antes previsto para eles. Isto também está se aplicando ao Brasil. 

 

Com a globalização e os reflexos econômicos e culturais decorrentes disso,  aquela fase meio que no limbo, nem criança, nem adulto, a imaturidade emocional, o desenvolvimento hormonal, se estendeu para as sociedades ocidentais como um todo. Já há até estudo na Inglaterra, por exemplo,  que mostra que o cérebro se desenvolve, totalmente mesmo em um adulto, por volta dos 25 anos. 

 

Além disso, há razões econômicas. Jovens podem apenas estudar, têm mais acesso às universidades ou não encontram emprego formal – caso da crise em vários países europeus - e faz com que eles fiquem ainda mais tempo na casa dos pais. Houve também uma mudança de postura social. 

 

O jovem já não é tão pressionado a sair da casa dos pais quando vai para a universidade. Esta dependência financeira e emocional está sendo melhor aceita, já não é “algo feio”.

 

Melhor e maior idade

 

Se a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica cronologicamente como idosos as pessoas com mais de 65 anos de idade, em países desenvolvidos, e com mais de 60 anos de idade, em países subdesenvolvidos, uma coisa é certa: os cientistas que determinaram essa faixa já estão revendo seus conceitos. Primeiro porque a longevidade é maior. 

 

No Brasil, por exemplo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve, de 1991 a 2010, um aumento na longevidade do brasileiro de 9,2 anos. 

 

Ou seja, vivemos quase dez anos a mais. Se compararmos com a década de 70, o salto foi de 53 anos (essa era a expectativa de vida do brasileiro) para mais de 75 anos. Não bastasse o salto cronológico, o mais importante está em curso: o salto biológico. Vivemos mais e já estamos vivendo e precisamos vivemos melhor. Há um envelhecimento ativo. 

 

Em função disso, já se falam em políticas públicas de prevenção às mazelas e doenças próprias da idade. A figura dos avós parados dentro de casa está com os dias contados.

 

‘Acredito mesmo é na idade mental’

 

Adriana Davi Pascon, casada, fonoaudióloga, administradora de empresa, pastora e mãe de dois adolescentes, nem parece ter 43 anos. Aliás, o que são os anos? “A idade cronológica não importa, acredito que, a única idade importante, é a mental. Se eu me vejo velha, naturalmente vou me comportar como “velha”, limitando-me a desfrutar a vida, sem intensidade. Cada dia de vida que temos, chama-se presente e temos que desfrutar dele hoje, porque amanhã o presente será outro”, ensina. 

 

“Não sei se não aparento ter a idade que tenho. Quando me olho no espelho, procuro algo em mim que eu goste, desta forma, tenho a motivação necessária para me arrumar, perfumar, e, consequentemente, sentir-me  jovem! Acredito que todos nós devemos ter sonhos, planos para o futuro, metas a serem perseguidas, mas, acima de tudo, hoje eu quero ser feliz com aquilo que tenho.”

 

‘Palavra’

 

Sabe aquela piada de que é preciso escolher entre casar e ter uma bicicleta. Pois Adriana também desafia essa premissa. Está casada com Luiz Fernando Pascon há quase 20 anos “e muito feliz”. “Tenho dois filhos, Luiz Paulo, com 16 e Luiz Felipe, 14. Acredito que, quando nossa família vai bem, o resto tende a ir também”. 

 

E nas horas vagas o que ela faz? Anda de bicicleta. Faz parte de um grupo de ciclistas da cidade. “Toda quarta-feira enfrento alguns quilômetros de trilhas. Procuro sempre movimentar as redes sociais, convidando as amigas à aderir a esta prática. Encaro como um desafio e vejo um resultado positivo e satisfatório”. De fato, o espelho aprova.

 

Claro que, como pastora, ela também credita tanta vitalidade ao exercício da fé. “Creio que um relacionamento íntimo com Deus e a prática da sua palavra nos fazem sermos melhores a cada dia, a vida é um desafio, mas eu não serei vencida por ela: vou vencer na vida sempre!”.

 

Os 50 são os novos 30

 

Outro estudo demonstra que, por causa da vaidade, são as mulheres que mais se preocupam com a aparência. Pressionadas culturalmente, elas lutam para manter o corpo jovial. E estão conseguindo. Assim, se há alguns anos as de 30 lutavam para parecer que tinham 20 anos, a cronologia mudou. Hoje em dia, as de 50 são as que fazem de tudo para aparentar ter 30. E elas conseguem. 

 

Atrizes famosas matam de inveja qualquer  mulher e também servem de espelho. Aqui ou no Exterior. Cristiana Oliveira, 50 anos, é avó de um menino de um ano, emagreceu 17 quilos para um papel na série “Animal”, do GNT, ao lado de Edson Celulari, ele também um cinquentão. Na verdade 56. 

 

Quem vê a atriz mais magra e linda não imagina que ela já pesou 100 quilos e dá, pelo menos, 20 anos a menos do que seu companheiro de série.

 

Manter a vitalidade

 

A nutricionista Amanda Arruda Matos está atenta ao fato de que a expectativa de vida das pessoas está cada vez maior e a grande preocupação dos profissionais da saúde em relação ao envelhecimento da população é com a qualidade de vida que teremos nesta fase. “Não basta morrer mais tarde, temos que manter nossa independência e impedir o avanço das doenças crônico-degenerativas. Diante disso, a alimentação e a nutrição são de suma importância”, ressalta.