10 de julho de 2026
Nacional

Vazar delação é tentativa de mudar eleição, diz ministro


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O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou ontem o impacto político das denúncias feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimentos à Polícia Federal. 

 

Para ele, o que foi publicado até o momento sobre o caso é “boataria” que tenta mudar os rumos das eleições e destacou que o episódio reforça a necessidade de uma reforma política.  “Não posso tomar como denúncia contra a base aliada uma boataria de um vazamento, de um procedimento que eu não sei qual é. Só vamos falar sobre esse tema depois que houver o inteiro teor dessas denúncias. Vazamento é uma coisa, em geral dirigida. (...) Até lá, tudo o que se falar é muito precário, porque são em cima de acusações que você não sabe”, disse. 

 

De acordo com reportagem publicada pela revista “Veja”, Costa cita como beneficiários de propina em esquema na Petrobras o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Henrique Alves (PMDB-RN). Estariam envolvidos também políticos do PT e do PP, entre eles Eduardo Campos, ex-candidato do PSB, segundo Costa. 

 

A reportagem não traz detalhes, documentos nem valores sobre o esquema. Os três rechaçam as acusações e alegam que as citações são mentirosas. Os nomes, segundo a revista, surgiram no acordo de delação premiada que Costa fez com procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, deflagrada em março com a prisão do doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar o esquema de lavagem que movimentou R$ 10 bilhões. 

 

Para o ministro, a notícia sobre a delação premiada e parte de seu conteúdo é uma tentativa de mudar os rumos das eleições mas, ainda assim, ele acredita as acusações não afetarão a campanha de Dilma à reeleição. 

 

“Eu não acredito, sinceramente, que uma simples notícia como essa, com o alarde que ela ganha, possa interferir no destino da eleição. (...) Vitória dura, calejada, mas vamos continuar o projeto de mudar o país”, disse. 

 

Também presente ao desfile, o ministro José Eduardo Cardozo, afirmou que as denúncias serão investigadas. “É muito importante que se faça a investigação e que se esclareça. O inquérito corre em sigilo por isso não é possível fazer nenhuma valoração a respeito. A Polícia Federal e o Ministério Público estão fazendo as apuração dentro daquilo que a lei determina”, disse. 

 

Para Carvalho, o episódio é “mais um incidente” que demonstra a necessidade de uma reforma política no país. 

 

Aécio cobra manifestação de Dilma sobre o esquema de corrupção na Petrobras

 

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, cobrou manifestação mais contundente da presidente Dilma Rousseff sobre a existência de um esquema de corrupção na Petrobras, denunciado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. 

 

Aécio lembrou a “atenção” dada por Dilma à empresa desde que foi ministra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu que o ex-executivo volte à CPI da Petrobrás para detalhar os crimes de pagamento de propina, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. Em depoimentos à Polícia Federal, Costa acusou vários políticos de partidos governistas de envolvimento na organização criminosa.

 

“Não dá para dizer que (Dilma)não sabia de nada. Esse é o resultado mais perverso da pior das marcas do governo do PT, o aparelhamento do Estado brasileiro. O PT, para se manter no poder, esqueceu aquilo que pregava e as boas intenções que já teve em algum momento. Estabeleceu nacos de poder”, disse Aécio durante visita à comunidade evangélica Ministério Flor de Lis, em São Gonçalo, na região metropolitana.

 

“Queremos que o senhor Paulo Roberto diga de forma mais clara como funcionava esse esquema. Não condeno previamente ninguém, mas o diretor mais importante da empresa diz que existia uma organização criminosa funcionando durante todo esse período de governo. E é uma empresa que teve sempre atenção muito próxima da presidente da República”, afirmou o tucano.

 

Aécio Neves evitou comentar o envolvimento específico de políticos citados pelo ex-executivo, segundo a revista Veja, como os ex-governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, que morreu em 13 de agosto; do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), amigo do tucano, e do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), além de dezenas de parlamentares.