08 de julho de 2026
Articulistas

Consumo, logo existo!

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Esta frase do título resume em parte a sociedade moderna, considerada sociedade de consumo. Inúmeras famílias entraram em uma verdadeira roda vida, estabelecendo um ciclo vicioso: é preciso consumir, para consumir é preciso de renda, para ter renda (honestamente) é preciso mais trabalho, mais trabalho indica menos lazer e menos tempo para apreciar o que vida tem de melhor, portanto, uma inversão de valores. A estrutura familiar caminha a passos largos para este comportamento, e cada um de nós, invariavelmente, entra nesta engrenagem sem praticar o senso crítico.

Somos levados por apelos da mídia e, pressionados pelo meio em que vivemos, nos deparamos com a necessidade de cada vez mais consumir. O individualismo passa a ser a tônica. Encontro familiares reclamando que somente se encontram em velórios. Falam: "Precisamos nos reunir em festas", mas o tempo passa, a roda continua a girar, e o próximo encontro é no próximo velório.

Será que a vida se resume ao "consumo, logo existo!" ou há espaço para o "quanto mais simples, melhor?". O pior é perceber é que de certa forma estamos reproduzindo este modelo aos nossos filhos. Notadamente a classe média vem fazendo tripas coração para garantir os bens que os filhos necessitam, muitas vezes de valores elevados, sem que haja efetiva contrapartida. A falta de tempo isolou as pessoas e o conceito da bicicleta passou a prevalecer, isto é, se parar de pedalar a bicicleta cai.

É possível interromper este ciclo? Difícil, principalmente se considerarmos que tudo isso está um curso, e o que é pior, sem a devida percepção por parte dos envolvidos. Todos estão muito ocupados para um olhar mais detalhado neste comportamento, portanto, a roda continua a girar. A pergunta é: este tipo de comportamento contempla qualidade de vida? Dificilmente a resposta será afirmativa, pelo contrário, observo todos reclamando da falta de tempo, dos inúmeros compromissos, que desejariam ficar mais em casa, viajar mais, enfim, interromper em parte este ciclo.

Na prática foi criada uma verdadeira armadilha, que "se ficar o bicho pega, se correr o bicho come", assim sendo, as mudanças devem ocorrer, mas não serão radicais, e sim em pequenos atos, com mudança comportamental, com disciplina, e com imposição de limites ao consumo. Reconhecer tudo isso já é um grande importante passo.

O autor é economista e articulista do JC