11 de julho de 2026
Bairros

Vandalismo já obriga a troca de seis placas por dia em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Elas estão na mira de pichações e até mesmo de tiro ao alvo. Ao menos seis placas de sinalização de trânsito são repostas diariamente na cidade por conta de atos de vandalismo. Quem paga esta conta é a própria população.

Para se ter ideia, somente neste ano – de janeiro a agosto -, a Prefeitura Municipal de Bauru já gastou R$ 140 mil apenas com a reforma de placas que foram alvo de depredação pública. Outros R$ 94 mil foram destinados ao mesmo fim, mas por terem sido danificadas por acidentes de trânsito ou por ações do tempo.


As informações integram um levantamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), que recebe da prefeitura para cuidar da reforma e implantação dessas sinalizações por todo o perímetro urbano (veja mais no quadro ao lado).


R$ 91,00


Cada placa simples de trânsito nova custa hoje à prefeitura R$ 111,00. Já a reformada, R$ 91,00, mas, este preço, segundo a Emdurb, não inclui, por exemplo, toda a logística feita pela empresa para remoção da sinalização depredada.


“A diferença no valor refere-se apenas ao desconto da chapa, que é a matéria prima. Mas, na verdade, a placa reformada sai bem mais cara”, comenta Everton Hunzicker, diretor de Trânsito e Transporte da Emdurb.


Vale ressaltar que, cada vez que uma placa é retirada, outra deve ser implantada imediatamente no local – a substituição deve ocorrer em até 24 horas.


Entre os principais alvos de vândalos, estão as placas “Proibido Estacionar” (modelo R-6), seguidas pelas placas R-1, que são as de “Pare” e de “Sentido”.


O total de placas danificadas nos primeiros oito meses deste ano é 2.573. Desse montante, 65% foram reformadas após sofrerem com depredações. Outros 20% foram alvos de ações do tempo e 15% foram danificadas após colisões no trânsito, que, quase sempre, terminaram sem a identificação do autor.


Até tiro


Curiosamente, Everton explica que os tais ataques ocorrem geralmente aos finais de semana e não estão concentrados em uma área específica da cidade.


“Isso ocorre tanto nas periferias quanto no Centro e na zona sul. Tivemos um sério problema com o Estoril 5, por exemplo. Implantamos a proibição de estacionamento em uma sexta e, no domingo, as placas já estavam derrubadas”, lembra Everton. “Na Vila Falcão, também tivemos problema com uma mesma placa de sentido de circulação, que foi trocada três vezes depois de ser danificada e derrubada”, completa.


Situações do mesmo tipo, mas ainda mais ousadas e corriqueiras, aconteceriam em pontos mal iluminados e próximos à rodovias. “Geralmente, eles entortam a ponta da placa e picham. Em lugares mais afastados, já encontramos placas até com perfurações provocadas a tiros”, reforça o diretor da Emdurb.


Foi a situação observada pela reportagem em uma placa de sinalização de obstáculo na vicinal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), na região do bairro Fortunato Rocha Lima.


Denúncia


A comunicação sobre placas e postes danificados ou sobre pistas de autores de vandalismo ou que quebraram a sinalização em acidentes de trânsito devem ser informadas à Emdurb pelo e-mail emdurb@emdurb.com.br ou pelo telefone (14) 3335-9000.

Recai na Emdurb

O problema toma proporções maiores em situações como a registrada no domingo retrasado. Na ocasião, um rapaz de 21 anos sofreu uma queda de sua motocicleta e teve ferimentos leves após chocar-se contra uma placa de “Pare” que já estava caída na Nações Norte.

Neste caso, por exemplo, se a vítima registrar a ocorrência e ingressar com uma ação na Justiça, a Emdurb pode responder pelos danos à vítima, mesmo que não seja a responsável direta pela placa quebrada. A sinalização em questão, segundo informou a assessoria de comunicação da empresa, foi implantada novamente na manhã seguinte.

Mais fiscalização?

Em matéria publicada em maio de 2013 no JC, a Emdurb prometia mais rigor nas fiscalizações para a descoberta dos autores de danos ao patrimônio público. O diretor do departamento, contudo, frisa que, pelo menos, 97% dos casos, ainda hoje, possuem autoria desconhecida.