11 de julho de 2026
Cultura

Músico Ed Motta é atração em Bauru nesta sexta-feira no Teatro Municipal

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

“A cidade tem bons músicos. Tive a oportunidade de conhecer vários”, lembra, em tom nostálgico, disse Ed Motta

“Quando acaba o show, em qualquer cidade do Brasil, vou tomar banho, visto meu pijama e ligo o som ou vou tocar violão. É o tempo todo assim. Eu não paro com a música”. Ainda bem, responderiam os fãs de Ed Motta, que apresenta hoje em Bauru, no Teatro Municipal, a partir das 20h30, seu show acústico interpretando no piano e na guitarra canções da carreira e sucessos de músicos renomados no cenário nacional e internacional.


Cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador e produtor musical. Nada tímido, o currículo vem sendo reforçado desde que o músico lançou seu primeiro disco, há 26 anos, o Conexão Japeri. De lá para cá, Motta emplacou vertentes que vão do soul ao funk, do jazz à bossa nova e até das trilhas sonoras de Hollywood ao rock.


Para tanto, contudo, é preciso estar inspirado. “Já cheguei a ficar meses sem compor”, revela o artista, e acrescenta que o cenário musical brasileiro anda em crise. “A música se transformou em um viés comercial. Está popular demais”.


‘Na minha casa’


O projeto solo que Motta apresenta, cujo objetivo é mostrar como suas composições surgiram, já acontece há três anos no Rio de Janeiro – onde ele reside atualmente –, mas para a sorte dos fãs, o músico, que define a performance como “intimista”, resolveu levá-lo pelo Brasil afora. “É como se eu estivesse recebendo as pessoas na minha casa”, brinca.


Na avaliação do cantor, que já esteve em Bauru outras vezes e se mostrou ansioso para o show de hoje, o nível musical no município é elevado. “A cidade tem bons músicos. Tive a oportunidade de conhecer vários”, lembra, em tom nostálgico. Motta falou com o JC. Confira, os principais trechos da entrevista:


JC - Quando surgiu o Ed Motta multi-instrumentista?

Ed Motta - Quando eu tinha sete anos, ganhei um concurso de bateria no meu bairro. Desde pequeno sempre tive muito interesse por vários instrumentos musicais. Não sou virtuoso em nenhum deles, mas consigo me expressar na música através de todos. 


JC - Quem te inspira nas composições? 

Motta - Tem muitos. Na guitarra, pelo estilo que eu toco que é a base, sou muito influenciado pelo guitarrista do Earth and Fire, o Al McKay.


JC - O artista brasileiro do seu estilo deve focar mais no cenário internacional ou tem mercado no país?

Motta - Depende. Tem gente que pode ter sorte de conseguir. Eu mesmo tive sorte de, há alguns anos, emplacar músicas mais populares nas rádios. No meu caso, as canções fluem mais para outra área influenciada pelo jazz. Então acaba sendo natural fazer mais sucesso lá fora. Eu diria que é um momento difícil da música. Isso por falta de dinheiro para investir. No Brasil, a música se transformou em um viés comercial. Está popular demais, o chamado ‘populacho’. Isso tudo influencia negativamente.


JC - E como é esse projeto acústico?

Motta - É um show solo que eu fazia há uns três anos no Rio de Janeiro e, agora, decidi levá-lo para outras cidades do Brasil. O objetivo é mostrar às pessoas como as composições surgiram nos dois instrumentos (piano e guitarra). É como se eu estivesse recebendo as pessoas na minha casa. Eu apresento um apanhado da minha carreira e sempre acabo tocando alguns sucessos de outros músicos: Rita Lee, Stevie Wonder, canções dos anos 60 e músicas que gosto e ouvia desde garoto.


JC - Você compõe mais na guitarra ou no piano?

Motta - Há uns 15 anos era mais na guitarra. Agora é no piano, que vejo como um instrumento mais completo. No entanto, componho só quando a inspiração vem. Já cheguei a ficar meses sem compor.


JC - Você já veio a Bauru. Quais as recordações que tem da cidade?

Motta - Lembro-me de um show em uma cervejaria, acho que em 2005. O público do Interior de São Paulo é excelente. A cidade tem bons músicos. Tive a oportunidade de conhecer vários.


JC - E as expectativas para o show em Bauru?

Motta - São grandes. Estou com muita vontade de chegar aí para apresentar esse show, que é muito intimista. Eu fico mais próximo do público. Estou na expectativa de poder mostrar e sentir isso.


JC - Como é o Ed Motta fora dos palcos?

Motta - A minha vida é música o tempo todo. Meu hobby é música, meu descanso é música. Quando acaba o show, em qualquer cidade do Brasil, vou tomar banho, visto meu pijama e ligo o som ou vou tocar violão. É o tempo todo assim. Eu não paro com a música.

O Teatro Municipal fica na Avenida Nações Unidas, 8-9. Os ingressos custam R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia) e podem ser adquiridos na My Gloss Acessórios (Bauru Shopping), Porto Seguro (Av. Duque de Caxias, 19-31) e Roth Store (Av. Getúlio Vargas)