10 de julho de 2026
Internacional

Soldados de Israel se negam a atuar em terras palestinas

Estadão Conteúdo com Associated Press
| Tempo de leitura: 1 min

Mohamed Torokman/Reuters

Palestino é detido durante protesto nesta sexta por soldados israelenses, dentre os quais um grupo de elite não quer mais atuar por motivos morais

Dezenas de soldados reservistas  de uma unidade de elite de inteligência de Israel declaram publicamente nesta sexta-feira que se recusam a atuar em territórios palestinos por razões morais.

Soldados da Unidade 8200 - equivalente da Agência Nacional de Segurança (NSA) americana - expuseram suas queixas no jornal israelense Yedioth Ahronoth, depois de enviarem uma carta ao chefe militar da equipe e ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

"Nós, veteranos da Unidade 8200, declaramos que nos recusamos a ser parte de atividades contra palestinos e nos recusamos a sermos ferramentas para aumentar o controle militar nos territórios ocupados", escreveram. Os 43 soldados, incluindo alguns oficiais, alegaram que parte do trabalho da unidade de inteligência não permite que palestinos levem "vidas normais" e apenas serve para prolongar o conflito. Os reservistas enfatizaram que a recusa em servir se aplica apenas a áreas palestinas.

Um soldado, que preferiu não se identificar, afirmou ao jornal Yedioth que informações reunidas sobre a vida pessoal de palestinos e seus históricos médicos podem ser usados contra eles para propósitos de inteligência.

Israel conta há anos com uma rede de informantes palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, que ajudam nos ataques a militantes e informam serviços de segurança sobre ataques iminentes. Informantes são frequentemente recrutados sob chantagem envolvendo permissões para viagens e dinheiro.

O Exército israelense disse que soldados da unidade têm alto padrão ético e trabalham sob supervisão. Ele questionou a "seriedade das alegações" na carta. Um porta-voz do primeiro-ministro se recusou a comentar.

Soldados já se recusaram a atuar em territórios palestinos no passado, alegando razões similares, mas é a primeira vez que um grande grupo dessa unidade de elite assume essa posição.