09 de julho de 2026
Política

Estado não vai gerir o Centrinho

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) cumpriu agenda ontem em Bauru e prometeu manter o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) vinculado à Universidade de São Paulo (USP). No final de agosto, o Conselho Universitário da USP aprovou o repasse da gestão do hospital ao Estado, porém Alckmin afirmou que a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo não assumirá nem o Centrinho e nem o Hospital Universitário, na Capital Paulista.

Em entrevista à imprensa após vistoriar as obras de duplicação da Rodovia Bauru-Iacanga (SP-321), Alckmin confirmou a permanência do Centrinho com a USP. “É importante esclarecer que nem o Hospital Universitário, em São Paulo, e nem o Centrinho vão passar para a Secretaria Estadual de Saúde. São hospitais que precisam estar junto aos cursos, como medicina, enfermagem, fonoaudiologia, odontologia. Continua tudo com a USP”, pontuou, sobre a gestão do Centrinho.

Já em relação ao novo prédio do Centrinho, este sim pode ser utilizado pelo governo estadual para a instalação de um novo hospital, desde que a universidade não pretende utilizá-lo. “A destinação do prédio pode ser discutida. Se a USP quiser pode usar o prédio, se não houver esse interesse o Estado pode utilizar. Mas é importante frisar que a gestão do Centrinho, os funcionários e toda os serviços seguem com a USP”, reiterou. O governador não prometeu aumento do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as universidades paulista, mas confirmou que a queda de arrecadação, fruto do recuo da economia, influenciou na diminuição da receita das universidades – diretamente atreladas ao ICMS.

Após chegar no Aeroporto Moussa Tobias, onde foi recebido pelo deputado Pedro Tobias e correligionários, e depois vistoriar as obras da Bauru-Iacanga, Alckmin foi para corpo a corpo com eleitores na Praça Rui Barbosa e Calçadão. Um grupo se manifestava contrariamente à transferência do Centrinho e após o governador anunciar a eles que o hospital seguirá com a USP, houve comemoração.

Duplicação

Do Aeroporto Moussa Tobias o governador seguiu pela Rodovia Bauru-Iacanga, que passa por obras de duplicação entre o trevo da Rodovia Marechal Rondon e o trevo de acesso ao Aeroporto. A comitiva parou em um dos viadutos que estão sendo construídos, ainda na área rural de Bauru.

No primeiro semestre, a previsão de entrega das obras da Bauru-Iacanga era para 25 de outubro. Agora, a expectativa do governo do Estado é de entrega no fim do ano. “As obras de duplicação serão entregues até dezembro. Não há nenhum estudo para implantação de praças de pedágio, até porque a obra foi feita com recursos do DER (Departamento de Estradas de Rodagem)”, mencionou.

A duplicação foi dividida em dois lotes, um no trecho urbano de Bauru, com aproximadamente 5 km, e outro já na área rural. O custo total é de mais de R$ 91 milhões. Somente na área urbana são três viadutos, duas passarelas e uma marginal com ciclovia de 4,5 km. Após o trevo do Aeroporto, o DER está executando ações de melhorias como recape, obras no acostamento e terceira faixa, indo até o final da rodovia, após a barragem da hidrelétrica de Ibitinga, com término previsto para a próxima semana. Porém, esse trecho não tem previsão para ser duplicado.

Saúde

Na área da saúde, o governador destacou a reforma e ampliação na Maternidade Santa Isabel (por onde passou) e a reforma no Hospital de Base, ambos administrados pela Famesp. “Estamos fazendo um grande investimento nesses dois hospitais, com a perspectiva de uma melhora significativa no atendimento”, frisa.

Segundo o vice-presidente da Famesp, Antonio Rugolo Júnior, a ampliação da maternidade ficará pronta no final de 2015, com a área construída passando dos atuais 3 mil metros quadrados para 4,9 mil metros quadrados, e o número de leitos subindo de 70 para 98.

O investimento do governo estadual é de cerca de R$ 13 milhões. Já no Hospital de Base, Antonio Rugolo informa que dois andares já foram reformados, ao custo de R$ 12 milhões, enquanto os outros dois andares estarão em obras até o final do próximo ano.


Panorama eleitoral

Alckmin mostrou-se ponderado quanto às chances de vencer no 1º turno. “Pesquisa é sempre uma amostra do momento. Tem embasamento científico, mas é um retrato do momento”, citou. Sobre a corrida presidencial, onde o candidato tucano Aécio Neves aparece em 3º lugar, ele acredita na reversão. “O Aécio pode ir para o 2º turno. Temos três candidatos fortes na corrida, e o Aécio subiu quatro pontos na última pesquisa. Faltam ainda 20 dias”.


Situação hídrica

A situação crítica dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo não preocupa quanto à possibilidade de racionamento, afirmou o governador. “Nós operamos praticamente metade do Estado de São Paulo, cerca de 340 municípios. Em nenhum deles há racionamento. O Brasil tem 1.130 municípios em racionamento, nenhum deles administrado pela Sabesp”, afirma. “Temos alguns locais com problema, o mais grave é Tambaú, mas são cidades onde a água é de autarquias municipais. Mesmo assim estamos ajudando com obras e caminhões-pipa”, reforça.

Em Bauru, o serviço de água e esgoto é de competência da prefeitura, através do Departamento de Água e Esgoto (DAE). O nível da represa do Rio Batalha, que abastece cerca de 38% do município, chegou ao nível mais baixo dos últimos anos, e a autarquia não descarta a possibilidade de rodízio, mas sem racionamento. Na região, boa parte das cidades tem o serviço de água e esgoto gerenciados pela Sabesp.