10 de julho de 2026
Geral

Bem informados, jovens têm mais facilidade em decidir por carreira

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A responsabilidade em decidir o futuro profissional com apenas 16 ou 17 anos pode ser pesada demais para boa parte dos jovens. Mas, cada vez mais bem informados, eles parecem estar enfrentando menos dificuldades para fazer esta escolha.

É o que constata o professor Marcello Zanluchi, coordenador da oitava edição da Feira das Profissões da Universidade Sagrado Coração (USC), realizada durante todo o dia de ontem na instituição. Ele explica que, embora muitas áreas de atuação estejam cada vez mais segmentadas, esta geração de adolescentes têm acesso a uma ampla gama de informações, principalmente por meio de pesquisas na internet.

“Há muitos sites confiáveis. E os próprios colégios tem investido em orientação vocacional, o que contribui para que os alunos possam tomar sua decisão com maior segurança”, completa.

Zanluchi destaca que, em muitos casos, os jovens podem até chegar ao terceiro ano do Ensino Médio com incertezas, mas quase sempre já estão decididos por uma área específica do conhecimento, como humanas, exatas e biológicas.

É o caso da estudante bauruense Isabele Valeska da Silva, 15 anos, que diz gostar das áreas de rádio e TV, jornalismo e fotografia. “Como ainda estou no primeiro ano do Ensino Médio, tenho tempo para decidir”, diz.

Feiras de profissões como a realizada pela USC, ontem, também são, segundo Zanluchi, importantes ferramentas para sanar as dúvidas dos jovens. Com o tema “Você escolhe o melhor e o mundo escolhe você”, o evento recebeu mais de 10 mil estudantes vindos de todo o Interior do Estado e de cidades do Paraná.

Multidão

“A cada ano, o número de participantes tem aumentado, já que existe uma carência de eventos deste porte no Centro do Estado. Nossa capacidade, infelizmente, é de 10 mil pessoas. Senão, certamente teríamos recebido mais gente”, completa o coordenador.

Toda esta multidão de jovens pôde ter contato com os 43 cursos que a USC oferece, presenciar demonstrações sobre o dia a dia e obter informações sobre cursos, estágios e mercado de trabalho. Todos os estandes contavam com a presença de professores e alunos dos cursos e, em alguns, era possível participar de atividades interativas.

No de enfermagem, os visitantes puderam fazer auriculopuntura (acupuntura que estimula pontos da orelha); no de música, tocar e dançar em um palco; e, no de ciências biológicas, observar pequenos organismos por meio de microscópio.  

No estande de jornalismo, Isabele Valeska experimentou como seria apresentar a previsão do tempo em um telejornal. “Não sabia que tudo o que os apresentadores falam era lido (em um equipamento acoplado à câmera filmadora, chamado teleprompter) e achei bem diferente. Fiquei um pouquinho nervosa, gaguejei, mas, por ser a primeira vez, acho que me saí bem”, completa.


‘Os pais têm de apoiar e respeitar as escolhas’, diz mãe de vestibulando

O papel dos pais, neste momento de tantas definições, é prestar apoio aos filhos. Mesmo aflita, a cuidadora Rita Rangel, 45 anos, tenta oferecer todo o suporte para que o filho Vitor, 17 anos, faça a escolha mais acertada para o seu futuro. Ontem, ambos foram à Feira das Profissões da USC. “A gente tenta orientar e respeitar as escolhas. O bom é que ele tem disposição para pesquisar e se aprofundar sobre as áreas que despertam interesse”, comenta.

Vitor está em dúvida entre os cursos de publicidade e propaganda, jornalismo e administração de empresas e diz que pretende escolher uma profissão que pague bons salários, mas que lhe dê satisfação pessoal. “Vou prestar vários vestibulares, mas, provavelmente, ficarei em Bauru mesmo”, completa, sob o olhar de Rita, que ainda não considera a possibilidade de ter o filho muito longe de casa.


Amor pela música 

Vindos de Ourinhos, os amigos Leonardo Godoy e Caio Nunes, de 17 anos, têm uma paixão em comum: a música. Ontem, eles participaram da Feira das Profissões da USC com o objetivo principal de tirar dúvidas sobre a prova prática necessária para ingressar no curso de música, oferecido pela instituição.

Mas não deixaram de conhecer as curiosidades de outros estandes, como o de engenharia química. “Mas não tem nada a ver com o que pretendo fazer. Me interessei por música clássica por influência de um primo e, há três anos, comecei a tocar violino. No início de 2014, decidi que cursaria música”, conta Caio.

O amigo Leonardo toca violoncelo há um ano na Escola de Música de Ourinhos, onde também estuda Caio. “Quero tocar em orquestra. Nosso objetivo é fazer a teoria nos três anos de curso da USC e estudar a prática uma vez por semana no Conservatório de Tatuí”, diz, com toda convicção.


‘Biologia fascinante’

Depois de concluir o Ensino Médio, Marina Silveira Bonacazata Santos, 18 anos, ingressou em um cursinho pré-vestibular em Marília para tentar aprovação em uma universidade. O curso desejado é o de ciências biológicas porque, segundo ela, a “biologia é fascinante”.

“Sempre foi a área que eu mais gostei no Ensino Fundamental. Tentei o vestibular no ano passado e não deu, mas não vou desistir. Um dia, quero me especializar na área de genética”, planeja.

Também moradora de Marília, Thauane Prieto, 16 anos, é outra que já está bastante segura sobre qual carreira seguir. “Quero cursar medicina veterinária. É uma decisão que eu tomei ainda no início do Ensino Médio. Provavelmente, vou querer trabalhar cuidando de animais domésticos”, cogita, revelando que já teve bastante contato com a profissão no consultório de uma tia, que é veterinária.