08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Educação, mais que instrução


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O prezadíssimo colega professor Braz Keichu Kiatake publicou carta na Tribuna do Leitor ? JC (16/9, pág. 22), intitulada "Japoneses... Que povo raro!" O professor Braz inicia afirmando ter orgulho de sua descendência, por seu conteúdo afirmativo, exemplo e incentivo. Muito bem escolhido o título: "Japoneses... Que povo raro!". Sem dúvida, mérito excepcional mostrado ressaltados pelo missivista sobre o comportamento do povo japonês.


Lembrei-me do saudoso professor Sólon Borges dos Reis. Foi presidente do Centro do Professorado Paulista por 40 anos, de 1957 a 1997.

O Capítulo "Educação, mais que instrução", do livro "A Crise Contemporânea da Educação" (1978), de Sólon Borges dos Reis, explica esclarecendo a importância da educação, mais do que a instrução. Comporta registrar o exemplo pela sua objetividade: "Certa vez, na Grécia, chegando a um espetáculo público um homem de muita idade não encontrou lugar. Percorrendo o recinto à procura de assento, atravessou as arquibancadas em vão. Até que, chegando a um ponto onde estavam sentados diversos espartanos, estes se levantaram e cederam-lhe o lugar. O gesto chamou a atenção de todos e os presentes, admirados, aplaudiram. Vendo isto, um dos espartanos virou-se para o público presente exclamou: - Os atenienses sabem que se deve respeitar a velhice. Mas, nós, os espartanos, respeitamos a velhice".

Neste episódio a antiguidade clássica exemplifica bem o que é a educação. Não é a notícia que se tem do valor. É o hábito de viver esse valor. Implica na modificação do comportamento. Se a conduta não se alterou, a educação se processou. No exemplo, os atenienses estavam apenas informados sobre a necessidade de prestigiar os mais velhos e ajudá-los. Mas essa informação não lhes afetou a vida ao ponto de modificar o seu comportamento em relação aos mais velhos. Os espartanos, além de instruídos quanto à conveniência de atender aos mais velhos, mostravam-se educados, formados para se comportarem de acordo com a instrução adquirida.

Finalizo revivendo a viagem que fiz ao Japão, em 1980, na condição de vereador integrante da comitiva oficial, composta de representantes da Câmara Municipal e da Prefeitura Municipal de Bauru, à cidade de Tenri, para participar do programa festivo em comemoração ao 10º aniversário das cidades irmãs ? Tenri-Bauru ? e a inauguração do Parque-Bauru.

No meu livro "Câmara Municipal de Bauru ? Meus dois mandatos de vereador", lançado em maio de 2014, dediquei 16 páginas, com narração e fotos, sobre essa inesquecível viagem. Meus cumprimentos ao caríssimo colega professor Braz Keichu Kiatake pela carta

Rodolpho Pereira Lima