11 de julho de 2026
Nacional

Doleiro Alberto Youssef é condenado a 4 anos de prisão em caso do Banestado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O doleiro Alberto Youssef foi condenado ontem a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa. Ele é acusado de ter subornado um diretor do Banestado, banco público do Paraná que fez uma série de operações ilegais com dólar nos anos 1990, para obter um empréstimo.

Youssef havia sido perdoado por esse crime no acordo de delação que fez em 2004. Mas, como desrespeitou a promessa de não voltar a atuar no mercado paralelo de dólar, o processo foi reaberto em maio deste ano pelo juiz federal Sergio Moro. A ação penal original era de 2003.


É a primeira condenação do doleiro desde que ele foi preso em 17 de março deste ano pela Operação Lava Jato.


Segundo decisão do juiz, a ação penal provou que o doleiro obteve, em agosto de 1998, um empréstimo de US$ 1,5 milhão da agência do Banestado das ilhas Cayman, no Caribe, depois de pagar US$ 131 mil de propina ao diretor de operações internacionais do banco. O empréstimo foi obtido pelo doleiro para uma importadora de carros, chamada Jabur Toyopar.


O próprio Youssef confessou em 2004 que o US$ 1,5 milhão foi internado no Brasil pelo mercado paralelo, e não pelo Banco Central.

Arquivo/ABr

É a primeira condenação do doleiro desde que ele foi preso em março pela Operação Lava Jato

O advogado de Youssef, Augusto Augusto Figueiredo Basto, diz que vai recorrer da decisão porque não houve pagamento de propina ao diretor do banco. “O dinheiro foi para a campanha do Jaime Lerner. O banco exigiu que o Alberto desse o dinheiro para a campanha. Ele foi vítima do banco.” Lerner foi candidato à reeleição ao governo do Paraná em 1998 pelo antigo PFL (hoje DEM).


Figueiredo Basto diz que vai contestar no recurso o modo como o juiz rompeu o acordo de delação de 2004.

Saiba mais

O caso Banestado foi a maior investigação sobre doleiros realizada no Brasil, entre 2003 e 2007. Segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal criada à época, as remessas ilegais somavam US$ 28 bilhões. Youssef confessou ter movimentado US$ 2,5 bilhões entre 1994 e 2000.