A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou ontem a Operação São Cristovão, que investiga suposto esquema de desvio de ao menos R$ 20 milhões do Serviço Social do Transporte (Sest) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), entidades sem fins lucrativos de apoio a trabalhadores do setor de transportes.
Entre os suspeitos de envolvimento nas fraudes está o ex-senador Clésio Andrade (PMDB-MG), que prestou depoimento em Minas Gerais. Não havia mandado de prisão para ele, mas os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão em sua casa.
“Existe uma clara divisão de tarefas (no esquema) e, ao que tudo indica, comandada (pelo) ex-senador da República (Clésio)”, afirmou Luiz Fernando Costa de Araújo, chefe adjunto da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco).
O delegado chefe da Deco, Fábio Santos de Souza, explicou que a suspeita de sua participação no esquema veio “quando analisamos um documento fraudado encaminhado por ele à polícia para justificar gratificações pagas”. A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Clésio, nem com os diretores das entidades citadas.
Em segredo de justiça, a investigação do Sest/Senat foi realizada em parceria com o Ministério Público do DF, de Minas Gerais e da Controladoria-Geral da União (CGU). Quatro pessoas foram presas e outros 24 envolvidos prestaram depoimentos de forma coercitiva no DF e em Minas.
Segundo a investigação, a qual a reportagem teve acesso, os envolvidos são acusados de peculato, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Os desvios milionários aconteciam após a contratação de prestadores de serviço de fachada, ligadas aos investigados.