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Igor Medeiros/Divulgação |
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Um dos problemas ainda no rio Tietê é a proliferação de aguapés, como registrado este ano |
Relatório divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica revelou que a qualidade da água do rio Tietê em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) melhorou nos últimos quatro anos, deixando a classificação ruim para assumir a regular. O estudo mostrou ainda que o trecho do rio considerado “morto” diminuiu 70,7% no mesmo período. Na opinião do presidente da ONG Mãe Natureza, o resultado deve ser analisado com cautela.
Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, técnicos analisaram qualidade da água em 82 pontos de monitoramento nos rios das bacias hidrográficas do Alto e Médio Tietê, que abrangem 68 municípios paulistas, num trecho de 576 quilômetros que vai de Salesópolis a Barra Bonita.
Em Barra Bonita, a visita técnica foi realizada no dia 20 de agosto. Na ocasião, o grupo também analisou os impactos da estiagem na região e de que forma as comunidades ribeirinhas, atividades econômicas e de transporte, geração de energia e ecossistema estavam sendo afetados.
Em 2010, o trecho do rio Tietê que corta o município apresentava classificação ruim. O relatório mostrou que, neste ano, a qualidade da água passou a ser regular. Hélio Palmesan, presidente da ONG Mãe Natureza, atribui a melhora à ampliação do tratamento de esgoto ao longo do rio.
Ele ressalta, porém, que a situação está longe de ser ideal. “É preciso lembrar que ele vai precisar de muitas ações conjuntas e, para a gente falar do Tietê como a gente gostaria que ele fosse ou como ele é no baixo Tietê, vai levar 15 anos ou mais, apesar de todos os investimentos que já fizemos”, declara.
Segundo Palmesan, enquanto o uso do Tietê para abastecimento é discutido, algumas cidades o classificam como morto com o objetivo de beneficiar empresas que não têm compromisso com o meio ambiente. “É preciso investimento. É preciso dar continuidade, despoluir e não jogar mais esgoto”, afirma.
Resultados
Segundo o estudo, na Região Metropolitana de São Paulo, investimentos em saneamento básico permitiram que 18 pontos de coleta distribuídos em córregos e pequenos rios da Capital deixassem a condição péssima – de rios mortos – e passassem para índices ruins, regulares e bons.
Em toda a bacia, os pontos de coleta com índices de qualidade péssima da água caíram de 7 para 3. Já os pontos com índice de qualidade boa subiram de 3 para 10. A SOS Mata Atlântica atribui os bons resultados à ampliação da rede de coleta e do volume de esgoto tratados. “Apesar de boa notícia, é importante destacar que, para que o Tietê se recupere em São Paulo da forma que a população espera, é preciso aprimorar a legislação e fazer o controle de lançamentos de efluentes industriais e domésticos”, diz Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da entidade.
Mais vivo
O levantamento, denominado “O Retrato da Qualidade da Água e a evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê”, revelou ainda que, em quatro anos, o trecho considerado “morto” do rio diminuiu 70,7% e, hoje, se localiza entre Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus, no total de 71 quilômetros, onde os índices variam de ruim a péssimo.
No início do projeto de despoluição, em 1993, o rio estava morto em 530 quilômetros, de Mogi das Cruzes até Barra Bonita. No final de 2010, ao término da segunda etapa do Projeto Tietê, o trecho de rio morto compreendia uma extensão de 243 quilômetros, de Suzano até Porto Feliz.