09 de julho de 2026
Geral

USP e Unesp voltam às aulas na 2ª feira após 120 dias

Vitor Peruch com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Quioshi Goto

Por unanimidade, professores e funcionários da Unesp decidiram em assembleia realizada na sexta-feira (19) aceitar reajuste de 5,2%

Após uma assembleia realizada na Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em Bauru, na tarde de ontem, professores e funcionários técnico-administrativos decidiram, por unanimidade, encerrar a greve que durava 120 dias. Anteontem, os trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP) também decidiram pelo fim do movimento na cidade (leia mais abaixo), que perdurou por 112 dias. Nas duas unidades, as atividades serão retomadas normalmente já a partir desta próxima segunda-feira.


A greve, uma das mais longas da história das universidades estaduais paulistas, começou no final de maio, em âmbito estadual, quando os docentes e funcionários foram informados pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) que seus salários não teriam aumento. A medida não foi aceita e, desde então, as três universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp) tentavam negociações com o Cruesp.


Inicialmente, um aumento de 9,7% havia sido pedido pelos grevistas. Entretanto, após meses de greve e muitas negociações, os professores e funcionários conseguiram reajuste salarial de 5,2%, divididos em duas parcelas de 2,57%, para o mês de setembro (que será pago em outubro) e para o mês de dezembro (que será pago em janeiro de 2015). O décimo terceiro salário será pago com reajuste integral.


Além do aumento no salário, outras reivindicações foram atendidas no acordo. A primeira delas é o cronograma para o processo de isonomia do vale-alimentação com a Unicamp, atualmente de R$ 850,00. Os docentes e funcionários da Unesp, que recebiam vale de R$ 650,00, conquistaram o aumento gradual em outubro e janeiro, a partir de quando fica garantida a padronização.


Assim como o reajuste de 5,2%, professores e funcionários técnico-administrativos da USP, Unesp e Unicamp receberão abono salarial de 28,6%, correspondente ao acréscimo retroativo nos salários desde a data-base, em maio. O pagamento será feito ainda no mês de setembro, em uma folha complementar.


“Foi uma grande vitória para o movimento, já que saímos de 0% de reajuste para, ao menos, repor a inflação. Isso significa que não teremos perdas salariais”, pondera o diretor da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Milton Vieira do Prado Júnior.


Reposição das aulas


Embora a decisão pelo fim da greve já tenha sido tomada, as atividades nas unidades só serão retomadas na segunda-feira. No entanto, segundo o diretor da Adunesp, um novo calendário ainda deve ser elaborado por comissões de ensino.


“Uma reunião será realizada na segunda-feira para definir o calendário e, a partir da semana que vem, teremos clareza de como ficará o processo de reposição. Mas, confirmamos uma reposição de qualidade e mantendo integralmente os 200 dias letivos”, disse.


Segundo ele, já está acordado entre a Adunesp e a reitoria que ambos cuidarão para que o primeiro semestre letivo de 2014 seja finalizado com a garantia de que serão ministrados os conteúdos que deixaram de ser dados em função da greve, que as avaliações discentes sejam precedidas por um período adequado de aulas e que o segundo semestre letivo de 2014 somente seja iniciado após a finalização oficial do primeiro, respeitando um período mínimo de recesso entre eles.

Orçamento


O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) firmou acordo com o Fórum das Seis para continuar negociando junto à Assembleia Legislativa a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015, de modo que os recursos para financiar as atividades das três principais universidades do Estado possam ser aumentados.


Segundo Milton Vieira do Prado Júnior, o Cruesp também manteve a proposta de criar um grupo de trabalho para discutir a isonomia entre as três universidades paulistas e a permanência estudantil.


“Hoje, recursos para restaurante universitário e moradia estudantil estão juntos com bolsas por mérito, algo com o que a gente não concorda”, pontua.

USP também retoma atividades na íntegra na segunda-feira

Assim como a Unesp, a USP também deve retomar suas atividades normalmente na próxima segunda-feira. Os funcionários  técnico-administrativos permaneceram em greve por 112 dias em Bauru e, em assembleia realizada anteontem, decidiram pelo fim da paralisação. Os professores não chegaram a aderir ao movimento na cidade mas, em âmbito estadual, a categoria também decidiu encerrar a greve anteontem.


O acordo que determinou o fim da paralisação foi firmado na última quarta-feira em audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Capital, da qual participaram o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e representantes da reitoria.


Além desta audiência, o TRT já havia realizado outras quatro reuniões para solucionar o impasse. “O tribunal, o tempo todo, se mostrou muito favorável aos trabalhadores. Consideramos que nossos ganhos foram muito significativos”, considera a diretora do Sintusp, Joana Scarcela.


Assim como os professores e funcionários da Unesp, os servidores da USP receberão 5,2% de reajuste salarial e 28,6% de abono. Para tanto, se comprometeram a compensar, até 12 de dezembro, 70 horas do total de dias parados.


A jornada extra será de uma hora por dia, a partir do décimo dia de trabalho, a contar da próxima segunda-feira. “Mas esta regra valerá somente para os funcionários que ficaram com serviço acumulado”, completa Joana.


A Unicamp já havia aceitado as propostas de reajuste e abono no último dia 11 e retomou as atividades no dia 15.