08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Lindo texto


| Tempo de leitura: 1 min

Parabenizo o colega Braz Kiatake pelas oportunas palavras a respeito do status do professor no Japão. Povo civilizado, de conhecidas raízes e tradição, não é de admirar que trate, ainda hoje, o professor com carinho, respeito e alta consideração. É impossível comparar o que acontece na Terra do Sol Nascente com o que ocorre entre nós, onde o professor vem-se transformando, cada vez mais, em um pária, um marginalizado social, sem apoio governamental e sem o reconhecimento das famílias. A consequência disso tudo se reflete nos alunos que estabeleceram um relacionamento de vandalismo e mau tratos com o mestre. Já aconteceu de, em outras épocas, o professor ter merecido muito mais consideração tanto do Estado quanto da Família e do próprio educando.

Quando atualmente se descortina diante dos olhos a incúria e o desserviço que, entre nós, as autoridades vêm dispensando aos professores, assalta-nos uma revolta impotente e inconsequente. Atitudes negativas, porém, não levam a lugar nenhum. Em vez disso, seria mais prudente arregaçar as mangas e lutar por um país mais racional e mais esclarecido. Daí vir-nos à mente a lucidez de Gabriela Mistral: "Arranca de mim este impuro desejo de justiça que ainda me perturba, a revolta que nasce dentro de mim quando sou ferida, que não me doa a incompreensão nem me entristeça o esquecimento daqueles a quem ensinei."

Mais uma vez, parabéns, Braz, pelo lindo texto. É nosso dever firmar o propósito de, em qualquer circunstância, digladiar pelo ensino, pela educação e pelo professor. Como Gabriela Mistral, nós, educadores da velha guarda, não temos o direito de baixar a guarda e abdicar dessa luta.

Maria da Glória De Rosa