09 de julho de 2026
Regional

Moradores criam raízes na Demétria

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Éder Azevedo

Laynara Ferreira Leite da Silva trabalha como vendedora na Bioloja

Um dos maiores desafios atuais é “segurar” o homem no campo. Mesmo com o trabalho árduo e o baixo retorno financeiro, o problema passa longe do bairro Demétria, na zona rural de Botucatu. Os moradores, atraídos pela filosofia de respeito mútuo entre homem e natureza, sequer cogitam a possibilidade de deixar o lugar.

Embora um pouco assustada com o modo de vida na região, Sônia Cristina Almeida Sauer, 31 anos, não demorou muito para se acostumar com ele. “Eu trabalho na geleieira da estância Demétria, fazenda pertencente ao bairro, há sete anos, desde que me casei e resolvi criar os meus filhos nesse ambiente”, confessa a moradora.

Sônia é botucatuense, mas nasceu e foi criada na zona rural da cidade. “Eu sempre morei no sítio”, conta a funcionária da estância. Questionada sobre a possibilidade de deixar o campo, a mulher riu, olhou para baixo e, emocionada, declarou que não conseguia sequer se imaginar em outro ambiente. “Desde que eu me mudei para cá, me sinto realizada”, desabafa.

Outra moradora que ficou encantada pelo modo de enxergar a vida no bairro é Laynara Ferreira Leite da Silva, 19 anos. Nascida no interior do Paraná, ela passou a viver no Demétria há cinco anos e meio e hoje trabalha como vendedora na Bioloja da estância, que comercializa tudo o que é produzido e beneficiado por lá. “Não saio daqui de jeito algum”, brinca.

Esperança

Diagnosticada com esquizofrenia há oito anos, Cristiane Dauch, 46 anos, se mudou com a família para a região na esperança de ter qualidade de vida. E não foi apenas isso que ela conquistou. “Sinto que melhorei bastante, já que não tenho mais resistência para conviver em sociedade”, argumenta a moradora.

Laura Rojas, uma colombiana simpática de apenas 21 anos, deixou a família no país vizinho para trabalhar como voluntária na estância por quatro meses. “Estou triste, porque vou embora logo”, acrescenta Laura com um português afinadíssimo. Assim como tantos outros estrangeiros que visitam a estância regularmente, Laura ficou sabendo da filosofia praticada por lá e se encantou. “Eu oriento as pessoas com necessidades especiais nas atividades práticas. Saber que muitas delas chegam a melhorar, como a Cristiane, faz tudo valer a pena”, conclui a jovem.