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João Rosan |
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Sidney é um artista da felicidade |
Um copo d’água oferecido ao carteiro, um café para o guarda-noturno, uma atenção especial com a auxiliar doméstica, o bom dia amoroso ao cônjuge, a educação no trânsito, dentre outras gentilezas, são artes que atraem felicidade. Estão aí as fórmulas para se viver muito melhor...”, assina o escritor espírita Sidney Francese Fernandes, em trecho do prefácio de seu terceiro livro, “Ser feliz é uma arte”, com lançamento previsto para o início de outubro no Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac).
A história de Sidney com a literatura espírita é recente, o primeiro livro foi lançado em 2012, mas desde os 10 anos o escritor se entregou à religião. “Eu tinha apenas 10 anos de idade quando fui eleito presidente da pré-mocidade espírita. Eu tinha um público de oito ou nove pessoas para me ouvir. Passava a semana toda preparando as aulas (risos). Foi minha iniciação”, lembra o também palestrante.
Aposentado do Banco do Brasil desde 1995, onde fez carreira, e franqueado do Boticário, atualmente seus dias são voltados integralmente em favor da doutrina espírita: “De manhã, já levanto e começo a escrever artigos e palestras novas”, diz. Confira essas e outras histórias do entrevistado de hoje, a seguir.
Jornal da Cidade - Ser feliz é uma arte?
Sidney Francese Fernandes - É, porque é preciso olhar atentamente para aprender a ver as pequenas e preciosas coisas da vida. As pessoas têm o hábito de ver o que é ruim, e a felicidade está na simplicidade do dia a dia. Pequenos gestos de gentileza, por exemplo, só atraem outras coisas boas e a felicidade cotidiana. Isso é ser um artista da felicidade, enxergar essas pequenas coisas e praticá-las. A vida é linda. É preciso tirar os óculos escuros.
JC - O que ficou da infância?
Sidney - Com certeza os exemplos dos meus pais e dos meus avós, que eram pessoas muito sérias e trabalhadoras. Eu acabei me firmando neles para formar o meu caráter e minha vida em si. Sou filho único. Nós moramos na garagem da casa do meu avô durante um ano, na quadra 11 da rua Marcondes Salgado, em frente ao Boulevard Shopping. A casa ainda existe. Em 1945, meus pais se mudaram para a Gerson França e compraram uma loja de móveis. Ele trabalhava na estrada de Ferro Noroeste do Brasil e minha mãe tomava conta da loja.
JC - E foi assim que sua vida profissional teve início, certamente.
Sidney - Sim. Eu cresci dentro dessa loja e aprendi a trabalhar nela. Desde muito cedo eu comecei a ajudar nas vendas, a limpar, a fazer de tudo um pouco. Estudei no Grupo Escolar Ernesto Monte, no Liceu Noroeste, onde fiz técnico em contabilidade, e na Instituição Toledo de Ensino, onde cursei direito.
JC - Você é aposentado do Banco do Brasil, certo?
Sidney - Sim. Eu passei no concurso quando tinha 17 anos, em 1965. Precisei completar 18 anos para assumir meu cargo. Tomei posse em 1967, porque eu temia ir para uma cidade longe de Bauru, pois desejava fazer a faculdade de direito aqui. Mas Deus foi muito bom comigo e eu fui mandado para minha primeira agência, na cidade de Bandeirantes, perto de Ourinhos. Assim, pude continuar a estudar direito. De lá fui para Garça e, quando me formei na ITE, fui transferido para Bauru, em 1970. A minha história com o banco veio de um palpite da minha mãe, que sugeriu que eu prestasse o concurso e me liberou dos trabalhos da casa para estudar.
JC - Você chegou a atuar como advogado?
Sidney - Uma única vez. Um amigo meu se envolveu em uma briga com a esposa e estava para ser preso. Ele era um cara de idade, magrinho, baixinho e a mulher ‘dava dois’ dele. Bom, o promotor ofereceu denúncia contra ele. Entrei em juízo para defendê-lo, o promotor se sensibilizou, deu a absolvição e passou um sermão nele (risos). Entretanto, antes disso, assim que me formei, fui convidado pelo reitor a ser uma espécie de professor assistente de direito. Dei aulas na ITE em 1972 e 1973. Pensei em fazer mestrado, doutorado e seguir carreira jurídica, mas o Banco do Brasil me fez uma proposta irrecusável e, em 1974, passei a me dedicar integralmente ao banco, onde fiz carreira. Fui nomeado gerente instalador da agência do Bauru Shopping, na década de 1990, e me aposentei em 1995. Fui um dos 100 gerentes que mais se destacaram no País, logo depois da época do governo Collor. Ficamos 100 dias em Brasília para tentar dar uma outra cara ao banco.
JC - Quando você conheceu a doutrina espírita?
Sidney - Eu tinha 10 anos de idade. Meu pai passava por problemas de saúde quando conseguiu se recuperar no Centro Espírita a Serviço do Mestre, da Vila Dutra. Ele e minha mãe se tornaram espíritas. Eu continuava católico, mas não estava me adaptando. Não havia a acolhida que a Igreja Católica proporciona aos jovens hoje. Parei de ir à igreja. Mas meu pai disse que eu teria de ter uma religião. Ainda bem que fez isso. Acho que a criança precisa de uma religião, seja qual for. Fui até o Centro Espírita Maria de Lourdes, na Vila Falcão. Fui muito bem acolhido e encontrei o meu norte.
JC - E abraçou o voluntariado?
Sidney - Eu tinha apenas 10 anos de idade quando fui eleito presidente da pré-mocidade espírita. Eu tinha um público de oito ou nove pessoas para me ouvir. Passava a semana toda preparando as aulas (risos). Foi minha iniciação. Depois me aproximei do Amor e Caridade e estou lá até hoje.
JC - Quando você passou a produzir literatura espírita?
Sidney - Em 2009, quando me separei da minha primeira esposa, eu resolvi sair do País. Comecei a preparar a documentação para tentar minha cidadania italiana. Não consegui e voltei. Depois, em 2012, consegui a cidadania espanhola. Bom, quando estava na Itália, eu comecei a escrever e a mandar para o João Jabbour, que cometeu a imprudência de publicá-los (risos). Eu o considero meu padrinho literário, porque ele publicou meus artigos e eu me senti estimulado. Já tenho três livros. Todos com crônicas e artigos com base na doutrina espírita.
JC - Você está lançando seu terceiro livro: “Ser feliz é uma arte”.
Sidney - Sim. Ele será lançado no Centro Espírita Amor e Caridade nos dias 2, 3, 5, 6, 7, 8 e 10 de outubro, em diferentes horários. Todos os dias haverá exposição e venda do livro com autógrafos.
JC - Além de escrever os livros, você também é palestrante, certo?
Sidney - Eu viajo para realizar palestras e as gravo e filmo. Sendo assim, essas palestras se transformam em CDs e DVDs até mesmo para estimular a venda dos livros. E toda a venda é revertida para as obras do Ceac. O primeiro livro é o “Reencontro” (2012), lançado com mil e quinhentos exemplares; o segundo é “Em sintonia com o amor” (2013), com três mil cópias; e o novo é “Ser feliz é uma arte”, que será lançado no próximo mês, já com seis mil exemplares.
JC - Você foi o fundador da rádio e da TV Ceac?
Sidney - Sim. E hoje esses meios de comunicação têm domínio próprio: www.radioceac.com.br e www.tvceac.com.br. Outra coisa de que eu me orgulho é da minha participação em concertos de piano por toda a cidade, como apresentador e dos encontros de corais que produzi na década de 1980.
JC - Já há um novo livro no “forno”?
Sidney - Sim. Para este que estou lançando agora, eu reuni 40 artigos e foram publicados 25. Somando com os novos, já tenho o quarto livro pronto, que deve sair no primeiro semestre do ano que vem. Depois disso, quero me dedicar a um romance já iniciado.
Perfil
Nome: Sidney Francese Fernandes
Idade: 66 anos
Local de Nascimento: Bauru
Esposa: Ivete Cristina Esteves Fernandes
Filhos: Luciene, Mairen, Karen e Ricardo
Hobby: Escrever
Livro de cabeceira: Obras básicas da doutrina espírita, principalmente de Allan Kardec e as obras psicografadas de Chico Xavier, de modo especial as obras de Emmanuel
Estilo musical predileto: Música clássica
Filme preferido: Gosto de romances
Time: Corinthians
Para quem dá nota 10: Para Francisco Cândido Xavier
Para quem dá nota 0: Aos atuais poderes constituídos do Brasil
E-mail: 1948@uol.com.br