Quem foi ao Ginásio Panela de Pressão acompanhar os dois jogos do Concilig/Vôlei Bauru pela Divisão Especial do Campeonato Paulista de Vôlei feminino, observou que o técnico Chico dos Santos é figura de destaque na hora das partidas.
O comandante fala, gesticula, orienta o time o tempo todo e, certamente, entraria em quadra se não fosse a linha reservada à comissão técnica determinando o limite do treinador. “Eu falo, grito, oriento. Sou um pouco nervoso até (risos), mas estou me controlando. Jogo junto com elas e o que eu puder fazer para ajudá-las dentro de quadra, eu faço”, conta o treinador.
Durante o último jogo e primeira vitória das meninas de Bauru (por 3 sets a 1 contra o São Bernardo, no sábado, na Panela), o ‘professor’ Chico não largou sua prancheta em nenhum momento das quatro parciais. “Carrego seis folhas em que marco cada ataque e contra-ataque do adversário durante todo o jogo e mudo de página na rotação do time dentro de quadra. Assim consigo ter uma análise mais detalhada do que aconteceu e consertar os erros para a próxima partida”, explica.
Mania
Pode parecer estranho, mas este é um costume antigo do treinador bauruense. Com 54 anos e 40 deles dedicados ao voleibol, Chico começou a trabalhar como técnico da modalidade com apenas 19 anos (em um time juvenil da cidade de Piracicaba) e nunca mais largou o esporte. “Tive contato com o vôlei muito cedo e sempre gostei de trabalhar anotando e observando tudo o que acontece dentro de quadra. É uma mania minha”, conta o técnico.
O estilo agitado à beira da quadra lembra um pouco o conhecido ritmo acelerado de Bernardinho, com quem Chico trabalhou por muitos anos exercendo a função de auxiliar técnico e braço direito. Juntos conquistaram o título Sul-Americano, em 1999, e a medalha de bronze nas Olímpiadas de Sidney, na Austrália, em 2000 e também mundiais pela seleção brasileira masculina e feminina.
O ‘rei das madrugadas’
Na transmissão de um dos jogos do Mundial de Vôlei masculino, disputado na Polônia e encerrado no último domingo, Nalbert, ex-capitão da seleção brasileira e agora comentarista pelo canal SporTV, relembrou da parceria entre o treinador de Bauru e Bernardinho, em 2001, ao falar sobre a importância do trabalho feito por Chico dos Santos na análise dos adversários. “Ele (Nalbert) estava se referindo ao trabalho que eu sempre fazia com vídeos. Como não existia essa tecnologia de computador, quando sabíamos com que time íamos jogar eu pesquisava muito e asssitia vários jogos da equipe. Chegava a ver nove partidas e ficar cerca de oito horas diárias analisando as táticas e jogadores rivais. Mal dormia e passava as madrugadas fazendo isso”, relembra aos risos o treinador.
Mesmo ritmo
Mal comemorou a primeira vitória no comando do Concilig/Vôlei Bauru e o treinador já está estudando o time do próximo jogo (Araraquara, dia 3 de outubro, às 19h30, na casa do adversário). “Já estou vendo os vídeos da equipe de Araraquara para ter uma análise e farei isso até o dia do jogo. Assim, com base no que é visto, vou passando o treinamento para as meninas. E, com certeza, estarei em quadra – em pé – e com minhas anotações em mãos”, garante Chico.