09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A política e o retrato de Dorian Gray


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Ligo a TV e me espanto com tanta "novidade" que o horário político me proporciona. Velhos caciques prometendo reformas indispensáveis que não fizeram, mas que farão no seu próximo mandato. Rostos cansados de uma politicagem arcaica, falando em mudança.

Oportunistas de todas as áreas, fazendo daquele espaço um picadeiro de um grande circo de novidades, onde desfilam toda sorte de alienígena político: jogadores, humoristas, cantores... No âmbito estratosférico dos candidatos a cargos de maior expressão, a troca de acusações é a regra. A cada dia, nós, espectadores, nos surpreendemos com uma nova acusação, uma nova fraude, uma nova tramoia, levantada da vala comum da podridão política, por um ordinário concorrente contra seu oponente salafrário. E pior do que sabermos que tudo aquilo é verdade é termos a consciência que a denúncia alardeada não passa de um reflexo no espelho de quem acusa.


Não vemos nenhuma luz nova, nenhuma cor, somente o cinzento quadro a que chegamos. Um quadro como em ?O Retrato de Dorian Gray?, a cada dia mais desfigurado e apodrecido, revelando há anos a putrefata face - não só de nossa política, mas de nossa miséria humana. E aí a triste imagem daqueles "representantes do povo" ganha enfim verdade e sentido.

Benedito José Almeida Falcão