08 de julho de 2026
Internacional

CS da ONU endurece leis anti-terror

Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

O Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, na quarta-feira (24) uma resolução que obriga os Estados membros das Nações Unidas a adotarem legislações que tornem crime a associação de seus cidadãos a grupos terroristas em outros países.


O texto, chamado de “histórico” pelo presidente Barack Obama na reunião do conselho - que teve a participação de chefes de Estado de parte dos 15 países que ocupam assento no órgão - foi apresentado pelos Estados Unidos e mais cem países e aprovado dois dias depois do início dos bombardeios do país à milícia radical Estado Islâmico (EI) na Síria.


A declaração prevê que todos os países da ONU devem assegurar que suas leis internas estabeleçam penalidades para cidadãos que viajem para outros países com o propósito de “cometer, planejar, preparar ou participar de atos terroristas” ou ainda “oferecer ou receber treinamento terrorista”.


Pessoas que recrutam cidadãos para o mesmo propósito também deverão ser punidas, segundo o texto.


A resolução determina ainda que também deve ser penalizado o “fornecimento intencional de fundos por seus cidadãos ou em seus territórios com a intenção de que os fundos sejam usados (...) para financiar a viagem de indivíduos” para planejar ou participar de ataques terroristas.


Na ONU


O presidente americano, Barack Obama, reafirmou na quarta-feira (24) a necessidade de que os países ajam unidos contra a milícia terrorista Estado Islâmico e disse que os extremistas “só entendem a linguagem da força”. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, Obama ressaltou o papel da coalizão de 40 países liderada pelos EUA que combate a facção no Iraque e na Síria.


“Não há negociação. A unica língua entendida por esses assassinos é a força”, disse Obama, dois dias depois de iniciar os ataques aéreos às regiões controladas pelo EI na Síria.


O presidente declarou ainda que, embora o terrorismo não seja novo, os terroristas estão mais letais com acesso à tecnologia. “Hoje, peço ao mundo que se junte nesse esforço “, disse na ONU. “Nós não vamos sucumbir às ameaças e vamos mostrar que o futuro pertence àqueles que constroem, não aos que destroem.”

“Os que se juntaram ao Estado Islâmico devem deixar o campo de batalha enquanto ainda podem”, ameaçou o presidente americano. “Não vamos tolerar portos seguros de terroristas nem vamos agir como uma ocupação”, afirmou. “Vamos agir contra ameaças à nossa segurança e à de nossos aliados e formular uma arquitetura de cooperação contraterrorista.”

“A brutalidade dos terroristas na Síria e no Iraque nos força a examinar o coração das trevas”, disse Obama.

Durante o discurso em Nova York, ele também fez um apelo a jovens muçulmanos para que resistam às investidas do EI em busca de novos integrantes.

“Vocês vêm de uma grande tradição que prega a educação, não a ignorância; a inovação, não a destruição; a dignidade da vida, não o assassinato. Aqueles que tentam desviá-los desse caminho estão traindo essa tradição, não defendendo-a”, afirmou o presidente americano.

UCRÂNIA

Obama também condenou o que chamou de “agressão da Rússia na Europa” e acusou os separatistas por não terem facilitado o acesso ao local da queda do avião da Malaysia Airlines, provavelmente derrubado pelos rebeldes.

Também falou do processo de paz entre Israel e palestinos, muito prejudicado pela recente guerra de 50 dias.

“A violência que tomou a região fez muitos israelenses abandonarem o duro trabalho para a paz. É algo sobre o qual vale a pena Israel refletir, pois vamos ser claros: o ‘status quo’ na Cisjordânia e na faixa de Gaza não é sustentável”, afirmou.

O presidente pediu ainda ao Irã que não deixe a oportunidade de alcançar o acordo nuclear passar e pediu que os países se unam contra o ebola.

“Esses terroristas acreditam que os nossos países não conseguirão pará-los. A segurança dos nossos cidadãos demanda que nós consigamos. Estou aqui para dizer que todos que estiverem comprometidos com esse trabalho urgente encontrarão um parceiro forte nos EUA”, disse Obama.


Dilma ironiza Obama


Na direção oposta do discurso de Barack Obama na ONU, a presidente Dilma  que o melhor caminho para combater conflitos é a negociação e questionou a eficácia dos ataques dos Estados Unidos à Síria e ao Iraque contra o Estado Islâmico e ameaças terroristas. “Gente, vocês acreditam que bombardear o  Estado Islâmico resolve o problema? Porque, se resolvesse, eu acho que estaria resolvido no Iraque. E o que se tem visto no Iraque é a paralisia”, disse a jornalistas em Nova York, após de discursar na abertura na Assembleia-Geral da ONU.