08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Hipocrisia das campanhas


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Uma das vantagens mais interessantes da hipocrisia é o seu baixo custo. A rigor, fazendo a conta na ponta do lápis, a hipocrisia não custa nada, quando se considera que o hipócrita jamais pretende cumprir suas promessas, nem se comportar com as virtudes que atribui a si mesmo diante do público. Encerrada a disputa, o hipócrita volta a ser o que sempre foi, e dá por zeradas todas as dívidas contraídas, quando pedia votos aos eleitores. A campanha eleitoral de 2014 parece superar tudo o que já foi feito neste país, até agora, em matéria de embuste, só deverá ser superada, talvez, pela próxima corrida, em 2018.
O pior desempenho até agora, fica com a concorrente mais forte, Dilma Rousseff, por ser a presidente da República, e esse cargo lhe impõe obrigações formais perante todos os brasileiros. A primeira delas é o respeito. Pela sua posição Dilma não tem o direito de tratar os eleitores como uma manada de ignorantes. Se Dilma não for eleita, garante a sua campanha, a comida vai sumir da mesa. As crianças passarão a receber livros em branco. Os banqueiros vão ordenar demissões em massa, fechar escolas e acabar com a Bolsa Família.
Por ser negra, magrinha e de origem paupérrima, ou por lembrar que passou fome na infância, a concorrente Marina Silva é acusada de ser uma ¨coitadinha¨, conforme Dilma, não teria condições de ser presidente. Para Dilma, só Lula, o seu principal patrocinador, tem o direito de se apresentar como operário e receber diploma de herói. Marina é igual a Fernando Collor, o mesmo Collor que hoje é um dos seus aliados mais valiosos. O resultado prático de toda essa insensatez é que a campanha eleitoral de Dilma, que deveria ser a mais sóbria e mais fiel à verdade dos fatos, acabou sendo a mais hipócrita de todas. A sua campanha, até o momento, tornou-se um monumento à trapaça. A única coisa real em jogo é o interesse material: mais de 20.000 cargos ocupados pelo PT e amigos, a manutenção de um convívio de 12 anos com empreiteiras e as oportunidades de negócios junto a empreendedores como o homem da Petrobras e atual presidiário Paulo Roberto Costa, e o doleiro Youssef, e por aí vai.Não existe motivo para acreditar nas promessas de Dilma. É uma pena, mas Dilma não vai mudar de caráter quando a campanha acabar.
Se ganhar, não vai fazer um ato de contrição e se arrepender da hipocrisia de uma disputa deformada pela falsificação da realidade; não se transformará numa pessoa que nunca foi. Só Deus sabe o que ainda vai dizer até o fim das eleições.Acorda meu povo, depois não adianta chorar. Quer saber mais! Leia a coluna de J.R. Guzzo na revista Veja.

Antonio Carlos A. dos Santos