Feliz ou infelizmente nos aproximamos de mais uma eleição. Felizmente por se oportunizar a chance de consolidação de pontos positivos semeados nos últimos 20 anos de boa ou relativa estabilidade econômica e, infelizmente, por provavelmente virmos a jogar pela janela a chance de dizermos não aos grupos que pretendem se eternizar no poder, dilapidar o patrimônio moral e cultural do povo brasileiro para aparelhar o Estado para sua perpetuação (uma ditadura de classe ou partido que, erroneamente, se pensa superior aos demais).
Já dizia o Ministro Joaquim Barbosa (um dos maiores heróis da República, desde Deodoro) que a continuidade no poder é "a mãe de todas as corrupções" e que "a possibilidade real de mudança periódica dos agentes políticos, com o voto universal e livre, é um elemento essencial de frenagem e de calibração democrática".
Fato verdadeiro é que, mesmo diante da falta de alternativas, há sempre uma mínima, a de garantir a alternância ? é o mínimo que se pode fazer pela democracia e também uma das principais características de uma República. Repito: mesmo diante da falta de alternativas, devemos assegurar a alternância, única coisa capaz de frear a sanha de poder. Nessa questão, talvez o maior prejudicial para o povo seja... o próprio povo, que, diferentemente de outros, desenvolvidos, cultiva comportamento vendilhão, barganhento, prostituto de seu voto. Aliás, nesse ponto, a maioria das prostitutas são mais respeitáveis que o povo que não tenciona sair da prostituição eleitoral, pois normalmente se entregam por questão transitória e assim que possível abandonam a carreira para, quem sabe, se passarem por "moças de família".
Uma parcela imensa do povo brasileiro se assemelha não a este, mas ao outro tipo de prostituta, a que, precisando ou não, não pretende sair do ciclo meretrício, pois se torna adepta do meio de vida do menor esforço ? que mesmo podendo e já tendo indicativos de caminhos a seguir para sair daquele desonroso ciclo de "comércio", prefere manter-se na vendilhonice. É o que ocorre atualmente em relação ao PT/Lula/Dilma, com uma parcela do povo incapacitada de dizer "obrigado por tudo, senhores ladrões, mas que estes programas sociais continuem com o-u-t-r-o-s menos corruptos. Já estávamos resolvendo arestas de desigualdade, agora iremos resolver as de corrupção e impunidade. Adiós, iremos colocar outros menos corruptos", coisa que não ocorre justamente pelo afrouxamento da tolerância à corrupção caso se receba algum benefício "de grátis".
É em razão dessa cultura (e que se entenda que não pretendo ofender nem ao povo, nem as prostitutas e sim apenas usar o paralelo da barganha), que ainda que se descubra que foi Dilma ? e não o casal Nardoni ? jogou a menina pela janela, que foi Lula ? e não Suzane ? quem matou os Richthofen ? ou que foram eles ? e não o Felipão ? quem convocou, treinou e escalou o time da última Copa, é certo que o partido que instrumentalizar os benefícios sociais e os usar a seu favor (sobretudo estimulando o medo de que os adversários irão retirá-los, o que é improvável em qualquer caso) terá, no mínimo, 30 ou 40% de votos! Para piorar o quadro, eis que um candidato resolve se valer dos mesmos expedientes esquerdistas de para quem os fins justificam os meios: sabendo-se de antemão sem chances de vitória se lança ao ataque da segunda colocada, ambientalista acreana, de modo a se tornar, mesmo que inconscientemente, o maior cabo eleitoral da turma da estrela que não quer sair do poder, valendo-se da filosofia "ora, se vou para o buraco, levo quem puder comigo".
Diante da possível falta de alternativas, garantamos no mínimo a alternância. Se não se salvam os políticos, salvemos no mínimo a República!
Camila Alvarenga