09 de julho de 2026
Nacional

Dilma intensifica ataques a Marina durante debate na TV

Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Ichiro Guerra/ Dilma 13

Escândalo da Petrobras e votação da CPMF pautam confrontos entre candidatos

No quarto e penúltimo debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno, a presidente Dilma Rousseff (PT) intensificou na noite deste domingo (28) a estratégia de campanha do PT de tentar colar na rival a imagem de uma política não confiável e que muda de posição ao sabor das circunstâncias.

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, Dilma (40% das intenções de voto) e Marina (27%) disputariam o segundo turno caso as eleições fossem hoje.

Seguindo a mesma linha de uma propaganda que sua campanha levou ao ar neste domingo, a petista acusou a pessebista, no debate promovido pela TV Record, de ter mentido sobre a posição que ela adotou, no Senado, durante as votações relacionadas à CPMF.

O chamado "imposto do cheque", que retinha parte da movimentação bancária da população, vigorou no país até 2007.

A CPMF foi criada em 1996 por uma lei que destinou seus recursos ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Anos depois, o fundo foi incorporado junto com o tributo ao texto da Constituição, para garantir a vinculação de seus recursos à saúde e tornar mais difícil qualquer tentativa de acabar com ele.

Como o objetivo de dizer que não faz "oposição por oposição", Marina vinha afirmando que votou a favor da criação da CPMF apesar de seu partido na ocasião, o PT, ter sido contra o tributo.

"Não entendo como a senhora pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF. Atitudes como essa demonstram insegurança. Me estarrece como a senhora não lembra disso", afirmou Dilma logo na abertura do debate.

A pessebista rebateu afirmando que é alvo de uma onda de "calúnias e boatos". E lembrou que a votação da CPMF passou por várias etapas. Segundo ela, na discussão do fundo de combate à pobreza, votou a favor.

"Eu tenho total coerência com as posições que defendo e foi por isso exatamente que eu disse que não faço oposição por oposição, que eu sei o que é melhor para o Brasil."

Em 26 de agosto, no debate na TV Bandeirantes, Marina afirmou: "Quando foi a votação da CPMF, ainda que o meu partido fosse contra, em nome da saúde, em nome de respeitar o interesse dos brasileiros, eu votei favorável mesmo [a proposta] sendo do seu governo, o PSDB".

Nesta segunda, a campanha de Marina irá soltar nota dizendo que a então senadora, no começo da discussão, votou contra a CPMF, mas que depois defendeu dentro do PT uma mudança de posição como forma de aumentar os recursos do combate à fome.

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Os ataques a Marina seguem a estratégia adotada pela campanha petista desde que a pessebista colou em Dilma e passou a derrotá-la nas pesquisas que simularam a disputa no segundo turno.

Entre outros pontos, a propaganda petista acusou a rival de representar uma ameaça aos programas sociais e a desprezar os recursos do pré-sal. Depois do início dessa artilharia, Dilma voltou a superar Marina no primeiro turno e, segundo o Datafolha, está numericamente à frente da oponente na simulação de segundo turno, embora no limite da margem de erro.

A campanha do PT atribui aos ataques a melhora de Dilma nas pesquisas. No debate deste domingo, a presidente da República voltou a martelar um dos pontos da artilharia, que é acusar Marina de ameaçar a continuidade dos programas sociais ao defende uma revisão da política de subsídios dos bancos públicos.

Marina voltou a repetir que caso eleita não irá interromper nenhum dos programas sociais do governo federal.

"A senhora mudou de partido quatro vezes [na verdade foram duas] nesses três anos. Mudou de posição de um dia para outro em termos, em problemas de extrema importância, como a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], a homofobia e o pré"'sal", atacou Dilma.

A petista se referia a recuo de Marina em seu programa de governo na proposta à comunidade gay e à menção lateral ao pré-sal. Sobre a CLT, o PT divulga a versão de que Marina pretende tirar direito dos trabalhadores, o que a candidata do PSB nega com veemência.

No debate, Aécio Neves (PSDB) tentou manter a polarização com Dilma Rousseff como forma de sinalizar que ainda está vivo na disputa. Segundo o Datafolha, ele está com 18% das intenções de voto, nove atrás de Marina.

O quinto e último debate entre os candidatos à Presidência será realizado na quinta-feira (2), na TV Globo, três dias antes da realização do primeiro turno das eleições.

Aécio diz que 'falta indignação' a Dilma sobre erros na Petrobras

O senador tucano Aécio Neves disse no debate da TV Record neste domingo (28) que falta à presidente Dilma Rousseff (PT) manifestar indignação diante das denúncias de corrupção na Petrobras.

"É vergonhoso, eu expresso aqui a indignação de milhões de brasileiros. As denúncias não cessam", atacou o candidato do PSDB.

"Não há um sentimento de indignação, não vejo em momento algum a senhora dizendo 'não é possível que fizeram isso nas minhas barbas sem eu saber o que estava acontecendo'. Não, candidata, essa indignação está faltando", completou.

Suspeitas sobre superfaturamento na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, e na construção de Abreu e Lima, em Pernambuco, motivaram a criação de CPI no Congresso sobre a estatal. Dilma presidiu o conselho de administração da empresa no governo Lula.

Além disso, operação deflagrada em março pela Polícia Federal descobriu um esquema de desvio de dinheiro da estatal que envolveu o ex-diretor Paulo Roberto Costa, doleiros, políticos e fornecedores da empresa.

"Candidato, eu combato a corrupção para fortalecer a Petrobras. Tem gente que combate para usar as denúncias de corrupção para enfraquecer a Petrobras", rebateu a petista.

Segundo tucanos, Aécio procurou centrar os ataques a Dilma durante o debate como estratégia para manter a seu lado eleitores anti-petistas que o trocaram pro Marina Silva (PSB) nas últimas semanas.

A Petrobras foi trazida ao debate pela própria Dilma, que relembrou discurso proferido na Câmara por Aécio em 1997 no qual ele declarou que "pode ser que chegue o momento de discutirmos a privatização da Petrobras".

Ela então perguntou que privatizações estariam "no radar" do tucano, caso eleito. "Nós não vamos privatizá-la [a Petrobras], inclusive, um projeto de lei que proíbe a sua privatização é de autoria do PSDB, mas eu vou reestatizá-la, vou tirá-las das mãos desse grupo político que tomou conta dessa empresa e está fazendo aquilo que nenhum brasileiro poderia imaginar, negócios há 12 anos", respondeu o tucano, aproveitando então para falar das denúncias de corrupção envolvendo a estatal.

Nas eleições de 2006, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito, o PT tentou colar no então candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, a pecha de privatista. O tucano passou boa parte da campanha tentando garantir que, se eleito, não privatizaria a Petrobras nem bancos públicos como o Banco do Brasil.

As denúncias sobre a Petrobras motivaram pedido de resposta de Dilma durante o debate. A petista aproveitou o tempo concedido para dizer que foi ela quem demitiu o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por sua ligação com um bilionário esquema de lavagem de dinheiro.

Em acordo de delação premiada protegido por segredo de justiça, ele acusou políticos e empresários de participação em esquemas de desvios envolvendo a Petrobras.

"Quero deixar claro que quem demitiu o Paulo Roberto fui eu e a Polícia Federal do meu governo apurou esses malfeitos e ilícitos", disse a presidente.