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Reprodução/Facebook |
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André Michel Andrade, 26 anos, não resistiu e morreu ontem |
Morreu, no início da manhã desta segunda-feira (29), o professor de história André Michel Andrade, 26 anos, terceira vítima fatal do acidente provocado por motorista embriagado anteontem em Bauru. Andrade foi socorrido com vida e deu entrada à 0h10 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito por volta das 6h10, segundo informou o hospital, por meio de assessoria de comunicação.
Luciano Aparecido Reis, 37 anos, e seu filho Guilherme Simão Reis, 13 anos, foram as outras vítimas fatais da tragédia, causada por Eurípedes José Cabral Filho, 43 anos, que dirigia embriagado e na contramão.
Ele segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru e foi autuado por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar) e tentativa de homicídio, já que um casal ainda segue internado sob cuidados médicos.
“Ao estar embriagado e dirigir um veículo, ele tem consciência de que pode provocar um acidente. Neste caso, o crime é inafiançável”, explicou o delegado plantonista da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Roberto Cabral Medeiros. “É como se ele tivesse usado uma arma para matar”, reforçou.
Ainda segundo o delegado, dependendo da interpretação do juiz que ficar responsável pelo caso, Eurípedes pode ganhar a liberdade. “O juiz pode entender que ele cometeu um homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e liberá-lo, para que ele responda em liberdade pelo crime”, pontua Cabral.
Terceira morte
Segundo o JC apurou, a terceira vítima fatal, André Andrade, era professor de história do ensino fundamental na rede estadual de ensino de Marília. O corpo do jovem será sepultado em Araçatuba, em um jazigo da família. Ele estava com os pais em um Honda Fit no momento da colisão.
O pai de André, o professor de música Paulo Estevão Andrade, 54 anos, teve fratura nas costelas e não corre risco de morte. Já a esposa, coordenadora pedagógica de um colégio particular de Marília, Olga Valéria Campana dos Anjos Andrade, 48 anos, teve perfuração no intestino, foi submetida a uma cirurgia e segue em observação na UTI do Hospital de Base.
Conforme apurado pela reportagem, a família teria acabado de visitar o outro filho, na Capital.
Acidente
O acidente ocorreu por volta das 20h15 de anteontem, no quilômetro 356 mais 300 metros da Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, na altura da AABB. Eurípedes conduzia uma Ipanema, placas de Bauru, e voltava de um churrasco na Quinta da Bela Olinda. No carro, estavam a namorada dele, Fernanda Aparecida Reis, que teve ferimentos leves, além de Luciano e Guilherme (pai e filho que morreram na tragédia), que seriam levados até a Vila Dutra. Eurípedes não teria percebido quando passou pelo trevo de acesso ao bairro e, ao notar que teria de retornar, fez a manobra sobre a pista. Um Corolla que conseguiu desviar e atravessou o canteiro central, parando na pista contrária. A condutora não sofreu ferimentos.
Logo atrás, porém, seguia um Honda Fit, com placas de Marília, onde estavam o casal e o filho deles, André Michel. O Honda colidiu de frente com a Ipanema. Luciano morreu no local e Guilherme, a caminho do hospital. Já André morreu na UTI do Base, ontem de manhã, e os pais seguem internados sob cuidados médicos.
Segundo a Polícia Rodoviária, foi feito o teste e constatada a embriaguez de Eurípedes.
Garoto de 13 anos tinha sonho de ser advogado
“Era um menino estudioso e tinha o sonho de ser advogado”, lamentou o ajudante geral Augusto Cesar Duarte da Silva, 21 anos, sobre a morte do primo Guilherme Reis, 13.
Augusto contou que Guilherme era muito próximo do pai Luciano e o ajudava a cuidar dos avós paternos. Música era uma das atividades preferidas do jovem. “Ele ganhou um violão do avô. Um menino muito alegre e de bem com a vida. Estava feliz porque iria com o pai no churrasco domingo. Os dois eram muito apegados”, completou.
Pai e filho foram velados ontem, no Velório Municipal, e sepultados às 16h, no Cemitério Cristo Rei.
Vítima e motorista trabalhavam juntos
Luciano Reis trabalhava como açougueiro em um mercado na Vila Industrial. Eurípedes, que dirigia o veículo na contramão e provocou o acidente, exercia a função de caixa no mesmo estabelecimento. “Eles eram amigos e saíam juntos de vez em quando, mas ninguém da família conhecia ele direito”, disse o irmão de Luciano, Renato Aparecido Reis, 41 anos.
Segundo Renato, Luciano estava em um churrasco com amigos. “Essa tragédia vai marcar a nossa família para o resto da vida. Meu irmão e meu sobrinho eram pessoas boas e gostavam de ajudar todo mundo”, desabafou Renato.