Muitos dos que possuem TV a cabo mudam de canal no horário da propaganda eleitoral e os que só têm TV aberta desligam o aparelho. Vez ou outra alguém assiste para não ficar totalmente por fora, mas não tem vontade de repetir. Mesmo assim, ninguém fica totalmente livre, devido às inserções durante a programação normal da TV. Se houvesse um "big brother" monitorando os telespectadores, seria divertido ver as reações e os palavrões, misturados com expressões entusiastas de afiliados, a cada aparecimento dos candidatos, tanto para os cargos de presidente e governador, como de senadores e deputados.
Quando repórteres saem à rua perguntando às pessoas em quem vão votar, muitos dizem que ainda não sabem, outros dizem que estão analisando as propostas dos candidatos. Percebe-se uma falta de entusiasmo com as próximas eleições. Há um desejo latente de mudança, mas mudar para o quê e para quem? Dos três candidatos a presidente com possibilidade de ser eleito, nenhum, até agora, conseguiu formar a imagem da diferença do que existe. Até o experiente jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, em sua crônica na Folha de 21/9 desabafou: "Para falar a verdade: estou ficando cheio das declarações dos principais candidatos à Presidência da República. São mais ou menos óbvias, e todas constituem um Frankenstein de promessas. Pedaços otimistas, mas na maior parte inviáveis, eleitoreiras e até mesmo contraditórias."
Com os candidatos a governador a história se repete. Os que se candidataram à reeleição, como a presidente Dilma, também ficam dizendo que vão fazer o que ainda não fizeram ou deixaram incompleto, e mais e melhor. Os que estão pleiteando o cargo prometem fazer o que o atual ocupante não fez e mais ainda. E não é só nesse aspecto que são iguais, mas na ausência de uma proposta de governo, com um plano de ação viável, porém ambicioso, que o povo possa entender o que pretendem fazer, como irão fazer, com que recursos fazer, que benefícios reais serão conseguidos e em que prazos eles serão realizados. As suas propostas se resumem a promessas de momento. Conforme são questionados, vão dizendo o que pretendem fazer sobre os assuntos mais batidos ? saúde, educação, segurança etc., sem a menor preocupação com os absurdos que acabam dizendo.
Para o registro da candidatura a Justiça Eleitoral apenas exige: "Propostas defendidas pelo candidato a prefeito, a governador de estado e a presidente da República." Daí, que a candidata Dilma Roussef (PT), num texto corrido de 25 páginas aborda, principalmente, o que foi feito nos 12 anos de governo petista. Algumas propostas específicas são apresentadas em um capítulo intitulado "Novo ciclo histórico".
Aécio Neves (PSDB) tem uma breve introdução e elenca propostas em um nível bem mais detalhado ? ainda que a grande maioria dos compromissos seja genérica. E Marina Silva (PSB) manteve a proposta de Eduardo Campos, que usou um modelo diferente: primeiramente, ele apresenta uma visão geral de sua coligação sobre o quadro atual e sobre o que precisa mudar em cada área. Depois, elenca suas propostas para o setor. Na verdade não são planos de governo, apenas intenções. Ao longo da história republicana tivemos apenas dos planos: o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek, para presidente, e o Plano de Ação de Carvalho Pinto, para governador de São Paulo.
E deputados por Bauru, quem são? Está aí uma boa pergunta. Com as restrições à propaganda, a TV, os cavaletes nas avenidas e os contatos pessoais, no calçadão ou em redutos dos candidatos, não substituíram com eficácia os ?santinhos? e os cartazes colados em muros. No geral, os eleitores irão às urnas com pouco entusiasmo e meio confusos com tantos nomes e as tantas vezes que deverão apertar o botão da urna. Mas não deixe de votar. Se não der certo agora, daqui a 4 anos haverá nova oportunidade.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.