Toda vez que me falam do termo "cavalo paraguaio" (que não gosto, afinal, no Paraguai não são só falsificações), impossível deixar de lembrar de algo bem lá atrás do meu passado. Tinha um colega japonês na Escolinha da Rede, lá pelos meus treze anos, e um dia o professor de Educação Física nos levou para uma corrida nas pistas do estádio Alfredo de Castilho, o do Noroeste. A classe toda postada para o início da prova e quando dada a largada o japonês dispara como um raio deixando todos muito para trás. Ficou mais de uma volta na frente de todos. Só que a corrida não era de curta distância e sim de longa. Após certo tempo todos o ultrapassaram e se não foi o último, deve ter chegado entre esses. A gozação arrastou-se por um bom tempo. Não podíamos vê-lo e o apelido "paraguaio" grudou nele por bom tempo.
Esse novo momento da eleição presidencial me fez lembrar do meu antigo colega de banco escolar. Com a nova situação, Marina Silva disparou na frente e galgou um posto bem lá frente dos demais na corrida presidencial. Li em diversos lugares que a corrida já estava ganha, sendo ela a vitoriosa. Algumas voltas no campo de corrida e eis que o quadro sofre as normais alterações de percurso. Assim como o japonês da corrida não tinha fôlego, nem pulmão suficiente para ir até o fim no mesmo padrão de rendimento, Marina, por tudo o que representa, perdeu muito do inicial entusiasmo.
No caso do japonês, faltou quem o orientasse como deveria ser seu procedimento em disputas de longa distância. Nosso professor na época, o experiente Silvio Minhoto, fez isso e nas corridas seguintes o exemplo dado serviu de lição para todos. No caso da Marina, pelo visto, experiência ela já possui, mas não tem intenção nenhuma em mudar de tática. Cientes do lapso na partida e com adicionais informações, impossível continuar optando por correr ao seu lado ou mesmo a tendo como digna representante dos anseios do brasileiro por algo melhor do que já temos. Ela foi a Ribeirão Preto dia desses e o encontro não foi com o povão, mas com os usineiros. Repete a dose por onde ande. Possui um lado, o de ouvir e atender os clamores da classe oligárquica. Deixou de lado o povão e isso está lhe valendo uma queda de rendimento, ou seja, os inicialmente mais alegrinhos já a enxergam mais como atraso do que avanço.
Os interesses por detrás dessa candidatura, que de redentora não possui nada, servem escancaradamente e fundamentalmente ao atendimento de algo pra lá de conservador. O cavalo paraguaio perdeu fôlego por absoluta falta de seriedade. Daí o que a "nova política" da candidatura Marina efetivamente propõe é a velha despolitização e deseducação da sociedade. Fez água por todos os lados.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com)