09 de julho de 2026
Geral

Apagões afetam a zona sul de Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores dos jardins Europa e América estão revoltados com as constantes oscilações e interrupções no fornecimento de energia elétrica na zona sul de Bauru. Eles relatam que as falhas se tornaram constantes desde o início do ano e já provocaram danos em aparelhos eletrônicos, além de risco à segurança das residências.


Moradora do Jardim América, a aposentada Vera Maria Braz André Cruz, 63 anos, conta que a rua onde mora, a Aviador Mário Fundagem Nogueira, ficou sem energia ao menos uma vez por mês em 2014. “Ao menor sinal de chuva ou vento, já ficamos no escuro. Às vezes, nem precisa chover para começar a oscilar”, comenta.  


Ela conta que, somente no final de setembro, foram duas ocorrências. No dia 25, os moradores ficaram cerca de seis horas sem energia e, no dia 30, mais uma hora e meia. “Agora, apagões rápidos, de 15 minutos, são constantes. Já cheguei a perder uma televisão e, desta última vez, a bateria do alarme de segurança da casa descarregou, o que já havia ocorrido outras vezes”, relata.


Vera conta que técnicos da CPFL teriam comentado que a frequência com que falhas no abastecimento acontecem é resultado de problemas na infraestrutura de distribuição de energia. “O que ficamos sabendo é que os cabos estão envelhecidos e a companhia não quer investir”, reclama. A CPFL Paulista não confirma a informação.


A aposentada ainda destaca que, por morar próximo a uma área de mata, sente-se insegura quando o bairro fica às escuras. O mesmo temor foi enfrentado em 30 de setembro pela aposentada Beatriz Venturini Gavaldão, 69 anos, moradora da rua Augusto João Costa, no Jardim Europa.


“Tenho um cachorro que sempre dorme cedo e, às 22h20, ele estava latindo na sala. Quando fui até o vitrô, vi o portão eletrônico da garagem aberto. Tomei um baita susto e fiquei com medo que alguém tivesse entrado no quintal”, relembra.


Sem solução


Mas não havia ninguém no local, o que levou Beatriz a acreditar que o portão abriu sozinho por conta das oscilações de energia, registradas antes do apagão que perdurou por algumas horas. “Desligamos todos os equipamentos eletrônicos por precaução e nem nos demos conta do risco em relação ao portão. A gente pode ter ficado vulnerável à entrada de ladrões por horas. Por sorte, não aconteceu nada”, afirma.


Há cerca de um mês, a cerca elétrica da casa de Beatriz foi danificada, possivelmente também em razão das falhas no fornecimento de energia. Ainda de acordo com ela, uma amiga, que reside na rua Carlos Del Plete, no Jardim Europa, disse que o problema também é frequente por lá. “Ao que parece, não são casos isolados e, até agora, estamos todos sem saber quando este tipo de problema será definitivamente resolvido”, pondera.


Outro lado


A assessoria de imprensa da CPFL Paulista informou que constatou quatro interrupções no fornecimento de energia nos últimos três meses na rua Aviador Mário Fundagem Nogueira, que foram provocadas por desligamentos programados, manutenções emergenciais e interferências externas de vento forte e galhos de árvore na rede.


A concessionária acrescenta, ainda, que dois terços do tempo em que os moradores ficam sem energia correspondem a interrupções emergenciais, provocadas por fatores externos como os temporais, colisões de veículos contra postes e objetos que atingem a rede, tais como pipas, balões e galhos de árvores. Queimadas e furtos de cabos são outros fatores que podem provocar desligamentos.

O outro terço, ainda de acordo com a assessoria, corresponde a desligamentos programados, informados previamente aos clientes, e organizados para que a empresa possa executar obras de melhoria na rede elétrica.