08 de julho de 2026
Bairros

Mulheres, guardiãs da comunidade

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Em todos os bairros e regiões de Bauru elas se destacam e vão além das próprias obrigações diárias e familiares, como trabalho, filhos, marido, família, casa. Somado a tudo isso, ainda acham tempo e se dedicam a uma atividade benemerente e exercem a cidadania de forma plena. Cidadãs acima de tudo, elas buscam solução para problemas de toda a comunidade.

As assessorias de imprensa de órgãos públicos as conhecem. Chegam até a reconhecer a voz delas ao telefone, sem sequer haver a identificação: são as guardiãs dos bairros. Mulheres que fazem a diferença por reivindicarem de forma contundente seus direitos e que têm na veia uma missão que não as deixa virar as costas para o que enxergam como errado.  “Quando elas ligam, já sabemos que há um problema para ser resolvido. E quase sempre elas têm razão no que pedem”, diz uma dessas assessoras, sem se identificar.

Trabalho voluntário

Preservar a identidade das denunciantes é uma arma das assessorias. Porque nem sempre as reivindicações agradam e, muitas vezes, “criam casos” com vizinhos (quando há maus tratos de animais, som muito alto, brigas entre vizinhos  e até desperdício de água, por exemplo).

Elas têm em comum o fato de não exercerem cargos públicos. Não são presidentes de associações, não militam politicamente, apenas conhecem seus direitos e procuram os canais certos para serem atendidas.

E embora o trabalho de muitas dessas mulhares seja incógnito, a maioria faz tudo isso de forma voluntária e, quase sempre, no anonimato. Integram grupos porque têm a consciência de que, juntos, a força é maior, e quando concordam em aparecer, sabem que isso é bom apenas como ação de marketing para estimular os outros a ajudar.

Além disso, têm outra característica em comum:  ficam muito chateadas quando alguém diz que “estão querendo aparecer ou devem ter alguma pretensão política, vai ser candidata logo, logo”.

É o caso de Inês Faneco, vendedora ambulante que fica mesmo indignada quando falam isso a respeito do seu trabalho e do Esquadrão do Bem. “A gente alimenta drogados que, sabemos, às vezes o prato dado é o único que têm no dia, e falam que temos outras intenções por baixo do pano. Isso chateia muito”, diz.

Participação

“Sou funcionária pública há 15 anos, mas prefiro não me envolver politicamente, talvez por isso ainda não tenha assumido nenhum cargo”, diz, brincando e rindo muito, Lydiane Moura. O que não quer dizer que não seja participativa e não lute pelos direitos dela. Ao contrário, produz ação que talvez mexa até com a sua vida, mesmo sem você saber.

Conheça a história delas e saiba como nasce esse tipo de atitude, como as de moradoras do Santa Edwirges preocupadas com os acidentes de trânsito na região.