Com a redução da jornada dos médicos da rede municipal aprovada no último mês, após a prefeitura enviar projeto de lei à Câmara, a Secretaria de Saúde tenta readequar as escalas dos profissionais, sobretudo no Departamento de Urgência e Emergência (DUE).
Desde o começo do ano, a falta de médicos para completar a escala tem sido recorrente, sobretudo aos finais de semana e feriados. Nas últimas semanas, o problema se estendeu a alguns dias úteis, quando a escala não consegue ser preenchida. Ontem, a UPA do Mary Dota ficou parte do dia sem médico. “Tivemos um problema na escala, e como várias vezes foi o Bela Vista que ficou sem médico, acabamos deixando o Bela Vista com médico e o Mary Dota acabou desfalcado”, justifica Luiz Antonio Sabbag, diretor do DUE.
“Como a redução da jornada está para ser publicada, temos que readequar a tabela. Fizemos uma reunião hoje (ontem) para tentar sanar isso, mas ainda sem chegar a um consenso. Na rede básica, é mais fácil encaixar isso, pois quem tem 20 horas vai pra 15 horas, e assim por diante. Mas, no meu caso, tem médico de 20 horas que cumpre 12 aqui na urgência e emergência e oito em posto de saúde. Reduzindo para 15 horas, esse profissional terá que continuar fazendo 12 aqui, pois é o mínimo, mas fica inviável fazer só três horas na rede básica”, detalha Sabbag.
Alternativas
Para sanar, ou pelo menos amenizar a situação, a prefeitura fez concurso para clínico geral e 22 médicos foram aprovados. “Se mais da metade deles assumir seus postos de trabalho, já ajudará muito a suprir o déficit”, comenta Sabbag. “Além disso, temos quatro médicos de férias, e, assim que eles retornarem, melhora. Até porque parte deles estão entre os que mais fazem plantões”.
A estimativa é que, pelo menos, 70 profissionais precisariam ser contratados para fechar totalmente a escala. Para isso, a ideia é que, além dos concursos, a Fundação Regional de Saúde possa contratar médicos para atuar no município a partir do próximo mês. A UPA do Bela Vista seria atendida apenas por esses profissionais. Já os médicos lotados nesta unidade seriam distribuídos nas outras três UPAs. “Esse modelo de contratação por Fundação funciona bem em outras cidades e o pagamento é fechado para o médico, que trabalhará como Pessoa Jurídica, e caberá a ele recolher tributos e Previdência”, finaliza.