Mais do que herança genética, José Carlos Brandão e Aran Carriel partilham a inquietação criativa e artística. Pai e filho mostram isso hoje por meio da literatura no lançamento conjunto de seus livros “A hora do gavião” e “Brinquedo”, a partir das 20h, em noite de autógrafos no Café 21.
O projeto do lançamento conjunto foi um consenso entre pai e filho. “Tivemos esta ideia de lançar juntos e fazer algo inédito mesmo. Nós dois produzimos bastante, mas vamos fazer um lançamento pela primeira vez juntos”, declara Carriel.
“A hora do gavião” traz textos publicados por Brandão desde 1971 em jornais como “O Democrático”, de Dois Córregos, “Tribuna”, de Santos, “Jornal da Cidade”, de Bauru, e Internet. “É uma seleção de crônicas publicadas em jornais e Internet nos últimos 40 anos. É um registro dos sentimentos e ideias para os parentes e amigos”, define Brandão.
Na seleção de textos, pesou o gosto pessoal em detrimento dos temas. “Selecionei os melhores textos. O que gostei de ver é que saiu um retrato pessoal, mostrando quem sou, o que pensei e senti nesse tempo todo (40 anos)”, comenta Brandão.
“Brinquedo” compõe-se de poemas, crônicas, contos e desenhos de quando o autor tinha entre 6 e 13 anos. “Meus pais guardavam estes rascunhos, nada foi editado, está tudo muito cru mesmo. Tem até os desenhos da época, tem coisas que são fac-símile, que eu datilografava na época”, observa Carriel.
Brandão analisa que Brinquedo é uma mostra de trabalho pedagógico. “De como uma criança imita o pai e a mãe e aprende não só a ler e escrever, mas também a criar como eles”, observa. “Interessante ainda em ‘Brinquedo’ que não é um livro infantil. Não como costumamos entender ‘livro infantil’. É um livro escrito por uma criança, mas para adultos”, destaca. Os livros foram publicados com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura.
Serviço
O Café 21 fica na Rua Gustavo Maciel, 21-80. Valores: “A hora do gavião”, R$ 25,00; “Brinquedo”, R$ 20,00; na compra de ambos, R$ 40,00.
Autores
José Carlos Brandão é membro da Academia Bauruense de Letras. Publicou sete livros de poesia, entre eles “Presença da Morte” e “O Silêncio de Deus”. Recebeu vários prêmios, como o da V Bienal Nestlé de Literatura, 1991; o “José Ermírio de Moraes”, do Pen Centre de São Paulo, para melhor livro de poesia publicado do ano 1983/1984, entre outros. Aran Carriel é artista multimídia membro-fundador do antigrupo Autoboneco. Formado em Jornalismo, atua como freelancer. É professor em oficinas de cultura alternativa e mantém em Bauru o espaço cultural Extinção desde 2003 e a sala de cinema livre CinExtinção. Carriel já publicou dezenas de títulos em áudio, vídeo e impressos, sempre de modo independente.