08 de julho de 2026
Geral

Unesp poderá ter aulas online

Tisa Moraes com Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Sem dinheiro para contratar mais professores, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) poderá instituir aulas à distância a partir do ano que vem para suprir a demanda de novos conteúdos em seus cursos de licenciatura. A Comissão Permanente de Ensino da Faculdade de Ciências (FC) de Bauru afirma que ainda não há confirmação de que a mudança será implementada pela reitoria, embora o pró-reitor de graduação da Unesp, Laurence Duarte Colvara, tenha dado sinais de que ela deva ocorrer.

Na semana passada, a reitoria enviou ofício a dirigentes de unidades sobre a reestruturação das 48 licenciaturas da Unesp no Estado, incluindo as sete de Bauru. Segundo norma aprovada pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) em 2012 e ajustada em 2014, os cursos de pedagogia e licenciaturas, que formam professores para o ensino básico, devem ser reformulados já a partir de 2015.

A regra do conselho prevê várias mudanças: a principal delas é reservar 30% da carga horária para atividades didático-pedagógicas, de caráter mais prático. A proposta é tornar a formação menos teórica, estratégia para melhor preparar os futuros professores.

A reitoria orienta, no entanto, que não haja elevação da carga horária e que o quadro atual de docentes seja aproveitado para os novos conteúdos. Nos casos em que não houver profissionais com formação necessária para ensinar disciplinas específicas, Colvara recomenda a utilização de “metodologias alternativas”, como aulas semipresenciais, já que a “contratação de docentes para atendimento à carga didática adicional está suspensa neste momento”.

Pela lei nacional, 20% dos cursos podem ser ministrados na modalidade semipresencial. O objetivo da adoção desta estratégia é evitar aprofundar a crise financeira na qual a Unesp está imersa. Atualmente, a universidade gasta quase 95% da sua receita com a folha de pagamento.

Reestruturação

Presidente da Comissão Permanente de Ensino da FC, a professora Vera Lúcia Capellini revela que a reestruturação das licenciaturas em física e química do câmpus de Bauru já foi enviada à reitoria. Apenas para estes dois cursos, haveria necessidade de contratação de dois professores, sendo um deles para ministrar aulas de Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“Nossa proposta é pela manutenção dos cursos, integralmente, na modalidade presencial. Principalmente para os alunos que estão em sua primeira graduação e ainda não possuem maturidade e compreensão de autonomia, os cursos presenciais são importantes para a garantia da qualidade. Ainda não obtivemos resposta da reitoria, mas, se houver imposição diversa, não será com a anuência dos docentes da FC de Bauru”, pondera.

Segundo ela, a estimativa é de que outros quatro professores precisem ser contratados para dar conta da demanda que será criada pela reorganização, também, dos currículos do curso de pedagogia e das licenciaturas em biologia, educação física, educação artística e matemática. As propostas deverão ser enviadas à reitoria até o próximo dia 17.

“As aulas, em 2015, poderão ter início com professores substitutos, até que os concursados sejam contratados”, cogita.


Justificativas

O pró-reitor de graduação, Laurence Colvara, diz que toda reformulação segue a regra do conselho. A decisão de não aumentar a carga horária, segundo ele, é para manter a atratividade das carreiras. A Unesp, em parceria com outra instituição, já ofereceu um curso de pedagogia inteiramente semipresencial, além de outras disciplinas no formato. Essa também seria uma saída para aproveitar docentes de outros câmpus. Vale destacar que outras graduações, por enquanto, não estão incluídas na mudança.

Maria Valéria Barbosa, da Associação de Docentes da Unesp, acredita que a medida vá piorar as licenciaturas. “Isso não é proposto a outros cursos considerados mais importantes. É preciso contratar mais professores», reclama.