09 de julho de 2026
Geral

Maternidade Santa Isabel fará parto na água

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Douglas Reis

Diretor Antônio Rugolo explica os benefícios do parto na água

A reforma da Maternidade Santa Isabel está com aproximadamente 30% das obras já concluídas. Em 30 dias, as alas de internação, que saltam de 42 para 53 leitos, já estarão liberadas para uso. A novidade, que vem com a reforma (veja no quadro) e com o projeto de atendimento humanizado, é a possibilidade de o parto normal acontecer, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), dentro de uma banheira de hidromassagem.


O diretor executivo da Maternidade Santa Isabel, Antônio Rugolo Júnior, que também é pediatra-neonatologista, explica que, dentro da política de humanização da unidade e do Ministério da Saúde (leia mais abaixo), a aquisição das duas banheiras de hidromassagem terão muitos benefícios para a mãe e o bebê.


“A mãe fica mais relaxada e a transição do útero para o ambiente externo não é tão traumática para o bebê. Essa modalidade de parto é inédita na rede SUS de Bauru e região”, explicou o médico, que também é diretor da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), gestora da Santa Isabel.


A gestante é colocada em uma banheira repleta de água morna. A temperatura deve ser mantida entre 36 e 38 graus para manter o conforto materno e evitar desidratação ou superaquecimento.


A mãe entra na banheira quando o trabalho de parto progride, que é exatamente quando a dor costuma aumentar. A água estimula a irrigação sanguínea e diminui a intensidade das dores. O bebê nasce e pode até ficar alguns segundos dentro da água, até ser retirado para o ambiente natural.


Procedimentos


Quando a mãe é atendida pelo SUS e entra em trabalho de parto, a primeira orientação é que a equipe médica tente o parto normal. “Com esse procedimento, além da mãe ter uma recuperação muito mais rápida, é mais saudável para o bebê. No período que antecede o parto, o pulmão do bebê amadurece, seca o líquido e ele se adapta melhor”, enfatiza.


A mãe poderá escolher se quer dar à luz nos métodos tradicionais, ou seja, parto normal ou cesariana (se for necessário) ou e ainda se quer que o nascimento aconteça na banheira.


O parto na água é custeado pela Famesp e Ministério da Saúde, através do programa Rede Cegonha, portaria que prevê a humanização das maternidades que utilizam o SUS e encaminha recursos à manutenção deste atendimento.


Conforme apurado pelo JC, os partos humanizados também podem ser feitos com atendimento particular, ainda não existente na cidade. Neste caso, os procedimentos podem custar, em média, R$ 4 mil.


Em tempo: no Brasil, a cesariana ainda prevalece. O procedimento é adotado em cerca de 70% dos nascimentos.

A reforma


O diretor administrativo da Maternidade, Adilson José Zamarin, mostrou o andamento da reforma da Maternidade Santa Isabel ao JC. As obras começaram em fevereiro deste ano. A verba de exatos R$ 13.109.473,97 é oriunda da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e contemplará um aumento de 1,9 mil metros quadrados em sua estrutura. Serão criados 11 novos leitos comuns (ala de internação), oito leitos para UTI neonatal, cinco leitos para a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), quatro novos leitos Canguru (onde as mães podem ter contato direto com os bebês prematuros ou com outras patologias) e quatro suítes para pré-parto, parto e puerpério (PPP) - sendo duas delas com banheira de hidromassagem.


Segundo Zamarin, um novo prédio de três andares, que está sendo construído nos fundos da Maternidade, ampliará o centro cirúrgico, terá uma central de climatização (que atenderá toda a unidade de saúde) e ainda uma central de esterilização.

‘Se já existisse aqui, eu teria feito’, afirma mãe

 

Douglas Reis

Ana Caroline Pires e a filha Beatriz: “Para as mães que têm dificuldade acho que será muito bom”

Em uma visita na quarta-feira (8) à Maternidade, a reportagem encontrou a na Caroline Pires Silva de Castro, que tinha dado à luz à pequena Beatriz, de parto normal. Ela gostou de saber da possibilidade do parto na água e acha que seria muito confortável.

“Eu tive facilidade no meu parto, apesar de ter esperado as dilatações por cinco horas, o que é considerado normal. Conheci o parto na água através de famosos e, com certeza, se já tivesse aqui, eu faria. Para as mães que têm dificuldade acho que será muito bom. Ajudará muito, porque deixa a pessoa mais relaxada e tranquila”, opinou.

 

Casa de apoio receberá 15 mães de cidades da região


A Maternidade Santa Isabel não atende somente Bauru. A unidade de saúde recebe mães e bebês de alto risco de 18 cidades da região (Agudos, Arealva, Avaí, Balbinos, Bauru, Borebi, Cabrália Paulista, Duartina, Iacanga, Lençóis Paulista, Lucianópolis, Macatuba, Paulistânia, Pederneiras, Pirajuí, Piratininga, Presidente Alves e Reginópolis).


Por isso, através de recurso oriundo do programa Rede Cegonha, criará uma casa de apoio para as mães que vêm destas cidades e acabam não tendo onde ficar. “Estamos procurando um imóvel para alugar nas imediações. A casa de apoio terá a capacidade de acolher 15 mães”, finalizou o diretor executivo do local, Antônio Rugolo Júnior.

Humanização

Além de fazer parte da portaria do Ministério da Saúde, a humanização é o grande objetivo da Maternidade Santa Isabel. Hoje, o pai ou acompanhante da mãe já pode presenciar o parto da criança.

Conforme noticiado pelo JC, a Maternidade comprou redinhas para os bebês que estão na UTI. Elas simulam a maneira que o recém-nascido fica dentro do útero. Outra novidade que está por vir são os miniofurôs, técnica de banho já conhecida e que também simula o ambiente intrauterino. Atualmente, o berço móvel também serve como banheira.