08 de julho de 2026
Polícia

Gerente surta e leva R$ 117 mil de banco

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Parece coisa de cinema, mas aconteceu de verdade. O gerente de uma agência bancária da Vila Cardia, em Bauru, foi demitido no dia 22 e, na madrugada seguinte, sofreu um surto psicótico e levou R$ 117 mil do antigo emprego. Ele conseguiu provar o problema médico, demonstrou arrependimento e responderá o inquérito policial, além do processo-crime, em liberdade.

“Eu acredito que a defesa siga pela tese da extinção da punibilidade, já que o homem demonstrou arrependimento posterior e restituiu quase todo o valor furtado”, explica Kleber Granja, delegado responsável pelo inquérito, que está prestes a ser concluído e deverá denunciar o ex-funcionário por furto qualificado.

O ex-gerente disse à polícia que não se lembrava do que havia feito. “Segundo o laudo médico, o ex-funcionário ficou transtornado por ter perdido o emprego sem justificativa aparente, surtou e sofreu um lapso de memória”, acrescenta Granja.

O fato curioso de toda a história, contudo, é a forma como a polícia chegou até o autor do crime. De início, foi feito um registro de dano qualificado, já que uma porta de vidro e uma máquina de senha foram quebrados.

Porém, na época, os funcionários que se depararam com o vandalismo assim que chegaram ao estabelecimento para dar início ao expedientes só foram perceber que a quantia de mais de R$ 100 mil havia sumido dois dias depois do crime. “Eles fizeram a retificação do registro da polícia e nós, através das imagens das câmeras de segurança, constatamos que o autor portava um capacete de motocicleta, além de uma mochila vermelha”, explica o delegado.

Ironia

Por ironia do destino, o autor tinha estacionado a moto em um lugar proibido e, enquanto estava dentro da agência bancária, o veículo foi removido por policiais militares, que registraram uma ocorrência. O endereço do ex-gerente, portanto, foi identificado e, em uma busca na residência, a polícia encontrou a moto - que foi resgatada por ele -, o capacete, três chaves que poderiam ser da agência e a mochila, além de R$ 480,00 em dinheiro.

Encaminhado à delegacia no dia 1 de outubro, ele afirmou não se lembrar de nada. Contudo, no dia seguinte, apresentou um extrato bancário com depósitos de mais de R$ 106 mil, o que corresponde a quase toda a quantia furtada.

A Polícia Civil fez o sequestro do valor e, para tê-lo de volta, o banco terá de pedir a transferência de bloqueio e a entrega do dinheiro. “Para a polícia, recuperar esta quantia em tão pouco tempo é um fato inédito”, conclui Granja.