10 de julho de 2026
Nacional

Novo exame descarta Ebola no País

Por Johanna Nublat | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O resultado do segundo exame laboratorial feito em Souleymane Bah, 47 anos, primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, também deu negativo ontem, o que descarta em definitivo a possibilidade de infecção do paciente da Guiné pelo vírus.

Bah chegou ao Brasil em 19 de setembro, vindo da Guiné - um dos países da África ocidental mais afetados pela doença no momento. Na quinta-feira, o paciente deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cascavel (PR), relatando febre, tosse e dor de garganta.

Desde que foi admitido e isolado na UPA, porém, o paciente não apresentou nenhum sintoma característico do ebola - como febre, hemorragia e vômitos. Um primeiro teste, feito na sexta-feira, deu resultado negativo para infecção por ebola. Pelo protocolo, no entanto, um segundo exame deveria ser feito 48 horas após o primeiro para descartar a doença. O resultado deste segundo exame foi divulgado, na tarde de ontem, pelo ministro Arthur Chioro (Saúde).

Descartada a doença, será desmontado o esquema que monitorava, desde quinta-feira, as dezenas de pessoas que tiveram contato com Bah - na UPA e no local onde ele mora - e o eventual surgimento de febre e outros sintomas para o ebola.

A alta do paciente, segundo Chioro, vai depender dos médicos que atendem Bah no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (RJ). Testes rápidos feitos no paciente já descartaram malária, dengue e HIV.

Racismo

Chioro reagiu com indignação às informações, publicadas pelo jornal “O Estado de S.”Paulo, mostrando que imigrantes africanos e haitianos estão sofrendo discriminação pela suspeita de que um deles poderia ter o vírus ebola.

“Não podemos concordar com qualquer postura discriminatória e tomaremos todas as medidas necessárias para inibir essa postura. O princípio do SUS é a universalidade. Em hipótese alguma podemos aceitar qualquer posição discriminatória em qualquer situação, muito menos com hipóteses infundadas. É inaceitável que em nosso País tenhamos atitudes desse tipo”, afirmou o ministro.


Governo manterá alerta

Apesar de descartado o primeiro caso, Chioro garante que o alerta será mantido. “Todas as medidas de vigilância permanecem, apesar do baixo risco de que o ebola chegue ao País”, afirmou. Ontem, foram feitas reuniões com a Secretaria de Portos, o Ministério da Defesa e o Ministério do Turismo para intensificar as medidas de atenção. Entre as medidas definidas estão uma reunião com práticos dos portos, que têm contato direto com as tripulações de navios, e algum tipo de alerta para ser distribuído em portos e aeroportos, em forma de panfleto ou cartilha, explicando os riscos e sintomas.

A expectativa mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a epidemia leve pelo menos seis meses ainda para ser controlada, o que justifica a manutenção do alerta.

Chioro garante que as medidas são preventivas e que os riscos de contágio no Brasil são pequenos. “Nós não temos nenhum voo direto ou com escala de nenhum dos três países (Guiné, Serra Leoa e Libéria)”, explica.