11 de julho de 2026
Nacional

Polícia Civil suspeita do envolvimento de traficantes em chacina no Rio

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia do Rio trabalha com a hipóteses de os cinco jovens mortos em Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, na noite de segunda-feira (13) tenham sido vítimas de crime premeditada por traficantes ou por alguma milícia.

 

De acordo com o delegado assistente da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, João Luiz Costa, as informações preliminares coletadas na área do crime dão conta de que quatro homens encapuzados e com roupas camufladas saltaram de um carro branco armados com pistolas.

 

Um outro carro também estaria com o grupo. Inicialmente os homens teriam questionado se os jovens tinham ligação com o tráfico de drogas local. Eles primeiro teriam agredido e depois atirado para matar. A teoria da execução é reforçada pelo fato de que algumas vítimas apresentavam tiros na cabeça e nenhum pertence foi levado.

 

Um adolescente de 12 anos sobreviveu e passou, durante a madrugada, por uma cirurgia por conta de um tiro no abdômen. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o jovem foi operado e passa bem.

 

Policiais colheram informações de maneira informal com o garoto, que terá seu depoimento tomado quando tiver uma melhora em seu estado de saúde. Esse rapaz, disse o delegado, teria conseguido fugir dos bandidos, mas foi atingido mesmo assim. A reportagem não conseguiu até o momento localizar parentes das vítimas.

 

Segundo Costa, há indícios de que o local em que os jovens foram mortos, uma rua no bairro conhecido como Parque Paulista, era um ponto de venda de drogas. A polícia trabalha com a hipótese de que os jovens possam ter sido mortos por traficantes da facção rival da que atua no local ou por milicianos. Nesses dois casos, o motivo seria uma disputa de poder na região.

 

Também não está descartada a hipótese de que possa ser um grupo de extermínio contratado por comerciantes e empresários locais, devido aos constantes assaltos na área. "Mas isso seria um infeliz retrocesso para a região, já que há muito tempo não se vê crimes com essa característica na Baixada", disse o delegado.

 

Dois dos cinco mortos eram maiores e foram identificados como Dennis Alberto de Jesus e Paulo Sérgio Marques da Silva. Quando menores, eles responderam por fato análogo a roubo e formação de quadrilha - quando a pessoa é menor de idade, por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente, reponde por fato análogo ao crime e não ao crime propriamente dito.

 

Os três jovens restantes, entre 16 e 12 anos, não tinham ficha criminal. Um dos garotos, inclusive, teria sido morto com uniforme escolar.O crime ocorreu por volta das 20h30 de segunda. Costa afirmou que as imagens de uma câmera de segurança de um comércio na rua não captou a movimentação do grupo.

 

Uma perícia foi feita ainda de noite de segunda e nesta terça. Homens da Polícia Civil estão fazendo diligências na região. Um inquérito foi instaurado e tem prazo de um mês para ficar pronto. Ainda não foram coletados depoimentos formais e a perícia nos corpos ainda não está pronta.

 

"O crime foi cometido por pessoas que sabiam que estavam fazendo. Os criminosos tomaram todo o cuidado de não se identificarem, o que reforça a tese de que não foi um roubo seguido de morte", disse.