09 de julho de 2026
Nacional

Falta d'água atinge 13,7 milhões no Estado de SP

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 5 min

 

Alexandre Moreira/ GOVSP

Em março, Geraldo Alckimin, prometeu obra de integração entre o Sistema Cantareira e a represa Jaguari, em Igaratá, no Vale do Paraíba.

A falta d’água já atinge 13,7 milhões de pessoas em 68 municípios de São Paulo, fora a capital. Desses, 38 já adotaram o racionamento, três estão em situação de emergência e um em calamidade pública.

 

Grandes cidades do interior, como Campinas, Piracicaba e Americana sofrem com a falta de água, mas não assumiram o racionamento. Na terça-feira, 14, atendendo a pedido do prefeito Jonas Donizete (PSB), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) autorizou o aumento na liberação de água do Sistema Cantareira de 3 metros cúbicos por segundo para 3,5 m3/s para evitar o colapso no abastecimento de Campinas. 

 

De acordo com a Sanasa, a empresa de saneamento da cidade, com as altas temperaturas o consumo aumentou de 2,8 m3/s para 4 m3/s. A má qualidade das águas do Rio Atibaia, onde é feita a captação, fez com que o volume de água tratada fosse reduzido, "provocando problemas pontuais de falta de água em algumas regiões da cidade". Desde sexta-feira, a empresa utiliza 20 caminhões-pipa para atender os bairros mais afetados. 

 

Em Bauru, 158 bairros vão conviver com rodízio que começou na quarta-feira. A comerciante Rosana Domingues está comprando água para consumo. Já a cidade de Americana adotou anteontem o rodízio entre os sistemas de captação para preservar os reservatórios, mas não admitiu o racionamento oficialmente. O procedimento vale para toda cidade.

 

Em Piracicaba, desde o início do mês, pelo menos 20 bairros - mais de 100 mil pessoas - ficaram sem água. Moradores alegam que há um rodízio disfarçado. O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) alega que o desabastecimento foi causado por avaria em uma adutora. O Rio Corumbataí, que abastece a cidade, está com nível muito baixo. Salto e Guararapes também optaram pelo racionamento esta semana. 

 

Com racionamento desde fevereiro, Itu está sendo abastecida precariamente com a compra de três milhões de litros de água por dia em outras cidades. No domingo, no quarto protesto contra a falta de água, moradores interditaram uma rodovia e incendiaram um ônibus. 

 

Oração. Em Franca, a seca reduziu em 45% a vazão do Rio Canoas - o principal manancial da cidade - e em 65% a do Córrego Pouso Alegre. Ontem, ao visitar o Canoas e saber que os cortes de água começariam, o vereador e pastor Otávio Pinheiro (PTB) rezou pedindo chuva, com outros 12 vereadores e o diretor da Sabesp, Rui Engracia. "Fiquei muito assustado quando vi aquela situação, com o rio baixo e cheio de terra", justificou.

 

Na cidade, a Sabesp não assumiu oficialmente o racionamento, mas divulgou uma lista com dezenas de bairros que estão tendo o corte de água. Todo dia, 27 caminhões-pipa buscam água em represas da região para completar os reservatórios.

 

O município de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, adotou o racionamento anteontem, em razão do baixo nível dos Rios Batedor e Passa Vinte. Com o rodízio, o abastecimento fica interrompido durante 24 horas, em dias alternados. A telefonista Ana Cristina Ribeiro, moradora da Vila Brasil, foi avisada que ficará sem água a partir das 7 horas de hoje. "Como só tenho uma caixa, pedi à minha mãe para encher os baldes, pois não sabemos quando a água vai voltar." Segundo ela, a cidade tem bairros altos que já estão sem água há mais tempo.

 

Moradores de Redenção da Serra reclamam da interrupção no abastecimento e da qualidade da água, mas a Sabesp informou que os problemas foram pontuais e já estão corrigidos. A Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Agevap) prevê que as represas que abastecem a região podem entrar em colapso em novembro, se não vierem chuvas em volume suficiente para recuperar os mananciais. 

 

Falta d’água já atinge 1 em cada 4 distritos de SP

 

Pelo menos um em cada quatro distritos da capital paulista já registra falta d’água. É o que mostra um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta semana, com base em visitas e queixas da população. A reportagem constatou desabastecimento em parte de 24 dos 96 distritos de São Paulo.

 

O número de bairros com reclamações passa de 30 e alguns relataram desabastecimento pela primeira vez no ano. Morador da Cidade Dutra, na zona sul, o motoboy Mário Almeida, de 30 anos, foi surpreendido pelas torneiras secas terça-feira, 14. "Faltou umas 21h ou 22h e só voltou hoje às 10h. Agora, a água está bem fraca, não dá nem pressão no chuveiro."

 

Procurada nesta quarta-feira, 15, a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) não respondeu às solicitações até as 21 horas. Na terça-feira, informou em nota que "as elevadas temperaturas dos últimos dias provocaram aumento do consumo que, associado às medidas operacionais (para a crise no Cantareira), prejudicou o abastecimento em alguns pontos altos e distantes".

 

Desabastecimento de água já afeta 34 escolas de SP

 

Levantamento feito com a Prefeitura de São Paulo na tarde desta quarta-feira, 15, relata problemas de desabastecimento em 34 das 2.768 escolas da rede municipal de ensino e em 15 unidades de Saúde - de unidades básicas e clínicas especializadas a centros de atenção psicossocial para crianças.

 

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as escolas que estão com problemas têm informado a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e feito pedidos de caminhões-pipa. "Todas as escolas têm caixa d’água. O reservatório permite que desabastecimentos temporários não impeçam o funcionamento normal da unidade" diz a secretaria, em nota. Entretanto, a pasta admite que os alunos de ao menos uma unidade - a Escola Municipal de Educação Infantil Almirante Tamandaré, na Mooca, zona leste - já dispensou os alunos por falta de água.

 

O cenário esperado, entretanto, não é animador. "O diagnóstico foi realizado entre os dias 13 e 14 de outubro, com alguns casos pontuais, e deve ser estendido para todas as unidades a partir do dia 20, quanto se encerra o recesso, por causa do Dia do Professor", informa a Prefeitura.

 

Já entre os equipamentos públicos de Saúde, as unidades com problemas estão sendo orientadas a receber os usuários e "realizar os procedimentos possíveis". 

 

Entretanto, a Coordenação de Vigilância em Saúde diz que "por questões sanitárias não é permitido o funcionamento de um serviço de saúde - seja este público ou privado -, se não há fornecimento de água", porque as equipes precisam, por exemplo, lavar as mãos antes do atendimento. As unidades também têm usado caminhões-pipa.