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Hospital Thereza Perlatti informa que não conseguiu localizar familiares do paciente na quarta-feira
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A família de um homem de 42 anos, internado desde 2009 no Hospital Thereza Perlatti, em Jaú (47 quilômetros de Bauru), procurou a polícia para comunicar que foi avisada sobre a morte dele horas após o sepultamento do corpo. Indignados, parentes alegam que não puderam velar o ente querido e que sequer sabem qual a causa da morte e onde ele foi enterrado. Além de cobrar a apuração do caso, eles irão entrar com ação contra o hospital por danos morais.
O escriturário Matias Geraldo Muniz conta que o irmão Jeezquel Afonso Muniz estava internado no Hospital Thereza Perlatti para tratamento psiquiátrico desde 2009, em cumprimento a ordem judicial. Segundo ele, anteontem, por volta das 18h, assistente social da prefeitura de Bauru foi até a residência de sua mãe para comunicá-la sobre a morte dele.
“Na pressa, eu fui correr atrás de comprar caixão, de acertar o terreno para trazer o corpo para sepultar e de fazer logo o velório. Eu tinha até programado o culto fúnebre para hoje (ontem), às 10h30”, revela. Matias alega que, quando a funerária em Bauru entrou em contato com o hospital de Jaú, descobriu que o corpo de Jeezquel havia sido enterrado.
A informação sobre o sepultamento só chegou à família às 20h15. “Eu tinha até assinado contrato para adquirir caixão e para aluguel do salão (do velório)”, afirma. De acordo com o escriturário, ontem, o hospital explicou que seu irmão foi vítima de um câncer e chegou a ser operado. Ele reclama, porém, que não teve acesso ao prontuário médico dele.
Matias conta que visitou Jeezquel há cerca de cinco meses. “O que eu achei absurdo foi eles terem sepultado ele sem comunicar a gente. Eles feriram quatro artigos da Constituição Federal. A minha mãe está arrasada, não jantou ontem (anteontem), não almoçou hoje (ontem), só chora. Ela tem 80 anos e não pôde ver ele. Isso é um absurdo”, desabafa.
Ele alega ainda que não conseguiu retirar o atestado de óbito de Jeezquel junto à funerária que fez o enterro. “Houve uma desonra da parte do hospital com a família”, diz. “Nós sentimos uma ofensa muito grande. Ele foi tratado pior do que indigente porque indigente tem que esperar pelo menos sete dias para enterrar. No caso dele, nem isso fizeram”.
O outro lado
A gerente técnica do Thereza Perlatti, Eva Torelli Martini, explica que Jeezquel foi transferido para o Hospital Amaral Carvalho no dia 26 de setembro para tratar de um tumor e, após diversas cirurgias, acabou falecendo na madrugada do último dia 15. “A família não era muito presente e não o visitava desde março”, conta.
Segundo ela, os Serviços Sociais do Amaral Carvalho e do Thereza Perlatti tentaram localizar familiares do paciente durante todo o dia. “Os telefones que nós tínhamos não respondiam”, diz. “Infelizmente, quando foram localizados, o paciente já havia sido sepultado”.
O enterro de Jeezquel, de acordo com a gerente, ocorreu anteontem, às 14h, no Cemitério Municipal de Jaú. “Ele foi sepultado em um jazigo do hospital e acompanhado por profissionais do hospital porque o Amaral Carvalho precisava liberar o corpo”, revela.