Cinco integrantes da família do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa vão contar na próxima semana em Curitiba o que sabem sobre desvios em obras da estatal e remessa de recursos ilícitos para o exterior. Será o primeiro depoimento deles no acordo de delação premiada que fizeram com a força-tarefa de procuradores que atua na Operação Lava Jato.
A família foi incluída no acordo de delação de Costa, homologado no final de agosto pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.
Os cinco familiares são a mulher de Costa, suas duas filhas e os genros.
Eles são réus numa ação penal sob acusação de lavagem de dinheiro e de tentativa de destruir provas no dia em que Costa foi preso pela primeira vez, em 20 de março deste ano. Enquanto a Polícia Federal fazia buscas na casa do executivo na Barra da Tijuca, suas filhas e genros retiraram documentos de um escritório dele. Câmaras do prédio registraram o movimento de familiares saindo com caixas, segundo a PF.
Costa foi preso uma segunda vez, mas saiu da prisão em 1º de outubro após decidir contar o que sabe sobre o esquema de desvios na Petrobras em troca de uma pena menor. Pelo acordo, ele devolverá cerca de R$ 70 milhões desviados de obras da estatal e ficará um ano em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
Os familiares também ajudaram Costa a abrir contas para esconder recursos desviados da estatal, segundo um dos depoimentos do executivo no acordo de delação premiada e documentos enviados pelas autoridades da Suíça, onde ele tem US$ 23 milhões.
A conta na Suíça foi aberta em nome do executivo, de sua mulher e de uma das filhas. Os dois genros assinaram a documentação para criar uma conta no Royal Canadian Bank em Cayman, um paraíso fiscal no Caribe. Essa conta tem uma saldo de US$ 2,8 milhões.
Os US$ 25,8 milhões serão devolvidos às autoridades brasileiras, segundo o acordo, e o executivo pagará uma multa de R$ 5 milhões. O total dos recursos a serem devolvidos é de cerca de R$ 70 milhões.
Diferentemente dos depoimentos de Costa na delação, que se arrastaram por cerca de um mês, os interrogatórios de seus familiares devem ser breves porque o ex-executivo já adiantou para a polícia qual era o papel de cada um no esquema.