08 de julho de 2026
Geral

Os pequeninos e a liberdade

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Há seis anos, a Escola Municipal de Ensino Infantil Integral (Emeii) Irene Ferreira Chermont, em parceira com o JC na Escola, realiza uma mostra de trabalhos com seus alunos, envolvendo arte, história, música e informação. Neste ano, a temática começou com a marca dos 50 anos do golpe que instalou a ditadura militar no Brasil. Os próprios alunos confeccionaram os trabalhos e até opinaram sobre diversos assuntos, entre eles, os maus-tratos aos animais e às crianças.

Depois, foi a vez de apresentar os trabalhos aos pais, que ficaram bastante orgulhosos e surpresos. A diretora Griselda Luiza Purini ensaiou parte do musical “Os Saltimbancos” (traduzido e imortalizado no Brasil por Chico Buarque de Holanda). Com instrumentos musicais produzidos pelos alunos, como, por exemplo, os chocalhos, a minibanda se apresentou sob a regência da diretora e foi aplaudida.

“Cada professor elege um subprojeto do projeto maior. Como estamos completando 50 anos da ditadura, resolvemos discutir liberdade com eles. Por isso, uma das partes fala sobre os maus-tratos para chegar à questão: como é que as pessoas gostam de ser tratadas?”, disse.

Conclusões

Dentre as diversas conclusões formadas com este trabalho, algumas se destacam: a análise de reportagens publicadas pelo JC sobre maus-tratos resultaram em textos produzidos com a ajuda dos professores. Alguns foram publicados em abril, no JC Criança.

“A professora que ficou com esse tema escolheu o jornal porque os maus-tratos resultam em muita mídia. Nesta idade, eles estão no que chamamos de ‘jogo de papéis’, eles querem ser personagens da vida social, neste caso, os jornalistas. Então, eles foram pesquisar a notícia”, acrescentou a diretora.

A concepção de animais de zoológico também foi discutida. Por que eles estão lá? Estão presos? Foi explicado aos pequenos que a maioria sofria maus-tratos e chegaram lá para serem cuidados. Foi no recinto que puderam ter um lar, sem riscos. “A visita deles ao zoológico nunca mais será a mesma”, complementou a diretora. 

Arte

Os pequeninos também fizeram exposição de arte contemporânea. A escolha foi porque é uma arte mais concreta para a idade, cotidiana, que pode ser trabalhada na reciclagem. “Todas as turmas conheceram as obras da Rosana Paulino, que trabalha com memória e mulheres negras”, contou a diretora Griselda Purini.


Pau-brasil

O início do projeto deste ano aconteceu em abril, quando a escola visitou o Núcleo para Educação e Direitos Humanos. Lá, as crianças ganharam uma muda de pau-brasil. “As cores que colocamos em volta, o verde e amarelo e o vermelho, significam, respectivamente, o Brasil e a dor. Todo dia, a turma que ganhou vai até lá. De lá, pensamos qual a temática que poderia ser trabalhada com as crianças. A violência ‘macro’ nasce na violência ‘micro’, Queríamos discutir com eles o que é ser livre”, salientou a diretora Griselda Luiza Purini.