Se o panorama geral no nível de emprego é motivo de entusiasmo para Bauru, o setor industrial tem muito pouco a comemorar levando em consideração também a região, assegura o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino. De acordo com ele, a cidade enfrenta um processo de desindustrialização e o segmento deverá fechar o ano com crescimento produtivo próximo a zero.
“Isso já será um ótimo resultado. A grande preocupação é que este cenário pode se arrastar por 2015, quando teremos o início de novos governos e ajustes fiscais, com pouco investimentos públicos”, pondera. Aliás, todo primeiro ano de governo, mesmo que seja uma sequência, existe uma freada, complementa o Secretário de Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro.
Na opinião dele, 2014 já foi atípico por conta da Copa e das eleições. Especificamente em relação ao pleito, ele é capaz de paralisar decisões, como lhe confidenciou o diretor de expansão de uma multinacional. “Para tomar uma decisão final, só depois das eleições”, afirma.
Crítica
Dentre as perspectivas negativas apontadas por Malandrino também estão a política de aumento da taxa de juros adotada pelo governo federal para combater a inflação e a falta de investimentos em infraestrutura, além da não realização das reformas política, tributária e trabalhista.
“O custo do transporte é proibitivo num País continental como o nosso, sem contar a péssima qualidade da maioria das rodovias do nosso País, os gargalos portuários e os problemas em ferrovias e aeroportos”, cita.
Esse perspectiva pessimista que abarca outras setores econômicos, porém, pode ser revertida sem um fato relevante como queda de juros ou política de subsídios, na opinião do economista Reinaldo Cafeo. De acordo com ele, a sinalização de mudança do modelo econômico por parte dos candidatos à Presidência da República ou mesmo pelo vencedor do pleito, é capaz de melhorar a confiança dos agentes econômicos.
“Aquele que está com posição mais cautelosa abre a guarda e se inicia um novo ciclo, mesmo não tendo indicadores para que isso aconteça”, pondera.
Microempreendedores individuais
O Cadastro Central de Empresas (Cempre) exclui os microempreendedores individuais (MEIs), figura criada em 2008 e cujo número já chega a cerca de 11 mil registrados em Bauru. Pelas regras, os MEIs podem ter faturamento anual de até R$ 60 mil e, no máximo, um empregado contratado. Mas, segundo o IBGE, foram desconsiderados do levantamento em virtude da não obrigatoriedade de preenchimento dos registros administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego.
Os MEIs foram criados pela lei complementar 128/2008, que estabeleceu uma espécie de estratificação das figuras previstas na lei federal 123/2006. Ela, por sua vez, institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. A mais recente foi idealizada para beneficiar aquelas com faturamento ainda menor, embora as micro e pequenas continuem existindo.
Equilíbrio
Enquanto o setor industrial vive um período de crise, o comércio passa por um período de estabilização com perspectiva de queda no faturamento, informa o presidente do Sincomércio, Walace Sampaio. Sendo assim, o primeiro segmento econômico está mais pessimista que o segundo.
Walace ainda comenta que o Brasil enfrentou paralisação da economia durante a Copa, embora o mercado esperasse o contrário. Mas encerrado o período dos jogos, os setores estão se recompondo, diz. Talvez por essa razão, agosto passado tenha registrado a menor taxa de desemprego para o mês, segundo o IBGE.
Conforme o JC divulgou na época, dados mostraram estabilidade na taxa, em níveis históricos baixos. “Nós ainda não estamos falando de fechamento de postos de trabalho, mas na redução da geração de novas vagas. Este é o fenômeno que estamos vivendo hoje”, destaca o presidente do Sincomércio.
E se houver um dia expansão maior de emprego em Bauru, ela virá pelo setor de serviços, por conta do processo de desindustrialização do País e a falta de uma forte política de desenvolvimento industrial, conclui o economista Reinaldo Cafeo.
O estudo
O Cadastro Central de Empresas (Cempre) reúne informações cadastrais e econômicas de empresas e outras organizações formalmente constituídas e presentes no território nacional, inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), da Secretaria da Receita Federal. A atualização de dados é realizada anualmente, conjugando informações provenientes das pesquisas nas áreas de indústria, construção, comércio e serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), vinculado ao o Ministério do Trabalho e Emprego.
Neste momento, forças devem se unir
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro, analisa que, para garantir o avanço no nível de emprego por um período ainda maior, todos os segmentos da cidade devem se unir daqui em diante. “A economia de Bauru ficou estagnada política e economicamente por mais de 15 anos. Nos últimos oito anos, conseguimos avançar em alguns aspectos, mas, agora, da forma como a economia se apresenta, precisamos nos preparar”, alerta.
Para ele, somente com o trabalho conjunto do poder público e empresários da indústria, comércio, prestação de serviços e construção civil é que será possível evitar o engessamento da economia nos próximos anos, que pode gerar, inclusive, demissões. “Esta mobilização é importante, porque o indicativos não são favoráveis no curto prazo”, salienta.
Ele explica que aguarda para breve o resultado do Programa de Atração de Empresas (PAE) e o Plano de Desenvolvimento Industria (PDI).
“Já sabíamos que o resultado seria a médio e longo prazo. Aderimos no ano passado. Agora que vamos começar a sentir. Estamos também levando o nome de Bauru a novas câmaras de negócio, como a da China, onde conseguimos assinar um acordo de interesse”, informa.