09 de julho de 2026
Política

Falta d´água deve endurecer sessão

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Lima Júnior diz que administração inviabiliza a cidade

Fotos: João Rosan

Markinho sugere barragem na estrada de Piratininga

Sandro Bussola: “Não dá mais tempo para estudar”

A sessão da Câmara Municipal de Bauru desta segunda-feira promete ser uma das mais difíceis para o governo. Com a crise hídrica ultrapassando todos os limites toleráveis, a expectativa é de que os vereadores devolvam a Rodrigo Agostinho (PMDB) toda a carga de críticas e cobranças que vêm recebendo ao longo dos anos por problemas no abastecimento, mas que atingiu seu ápice a partir da semana passada.

Do partido do prefeito, Markinho da Diversidade (PMDB) afirma que o atual cenário já configura como desrespeito a uma questão humanitária e de sobrevivência. “Água não é luxo. A gente reconhece os problemas com a falta de chuvas, mas o município desperdiça 40% do que produz e não fez a lição de casa, como outras prefeituras, que priorizaram a reservação e não estão sofrendo”.

Segundo o vereador, a possibilidade de que Bauru enfrentasse situações extremas como a de agora já era prevista há muito tempo. “Tanto é que, na década de 1970, ensaiaram a elaboração de um projeto de represa na antiga estrada de Piratininga”, pontua.

O peemedebista explica que, pelo local, passava uma linha de trem por cima do Rio Batalha. Ela não existe mais, mas a estrutura que foi montada permanece e poderia viabilizar considerável reserva de água que garantiria um “fôlego” para casos de emergência.

“É claro que precisamos ouvir uma avaliação técnica sobre isso, mas quero montar um grupo de vereadores para conhecer e ajudar a discutir a possibilidade para que não nos reste apenas rezar para que chova”, completa Markinho da Diversidade.

O vereador teme por reações violentas da população, que tem direcionado forte carga de críticas aos membros do Legislativo. “Somos os representantes do poder público mais próximos das pessoas. A gente vem cobrando, chamei uma audiência pública para discutir o problema em dezembro do ano passado, mas o que foi feito desde então?”, questiona.

Markinho duvida ainda de que a lei que obriga a construção de sistemas para reuso de água em novas edificações, aprovada em 2011, venha sendo cumprida e fiscalizada pela prefeitura.


Ação

Presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT) confirma que a sessão de hoje deve ser uma das mais duras contra o prefeito. Ele critica o discurso de Rodrigo que atribui a possibilidade de soluções para o desabastecimento em longo prazo, a partir da conclusão do Plano Diretor de Águas, contratado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) e que deve ficar pronto no fim deste ano.

“Não dá mais para esperar estudos. Eles estudam demais. O governo precisa dizer o que tem que ser feito e fazer. Se for preciso intervir no Batalha, que se faça. Não dá mais para esperar. O problema não está mais concentrado em uma ou duas regiões. É geral”, avalia o petista.

Responsabilidade

Bussola critica ainda o momento no qual o prefeito decidiu enviar à Câmara Municipal o projeto de lei que pretende impor multas para quem desperdiçar água. “Mais uma vez, em meio a uma crise, o governo transfere para nós a responsabilidade para dar possíveis soluções aos problemas criados por ele”.

Líder da oposição, Lima Júnior (PSDB) afirma que Rodrigo Agostinho age como se a responsabilidade pela falta d’água fosse da população e não da administração. “Não há planejamento algum. É assim que vem acontecendo. Para estancar o aperto orçamentário, mandou um super aumento de IPTU. Agora, ele quer penalizar a comunidade mais uma vez”, criticou.

Segundo o tucano, o atual governo tem inviabilizado a cidade. “A água é só mais um dos problemas. Ele promoveu uma política salarial equivocada que, agora, impede a contratação de servidores e a valorização dos bons funcionários. A nossa margem de investimentos, inclusive para o abastecimento, é de quase zero. Se observamos de forma minuciosa, vamos perceber que nada está em ordem”, finaliza.


Caso Lacon e os plantões médicos também devem ser questionados pelos vereadores hoje

Não desimportantes, mas fora do protagonismo em função da gravidade da crise hídrica, outros problemas devem ser pontuados pelos vereadores na tribuna da Câmara Municipal ou, ao menos, tratados nos bastidores da sessão de hoje.

O caso Lacon deve voltar a preocupar o Palácio das Cerejeiras. Como mostrou o Jornal da Cidade na última semana, o vereador Moisés Rossi (PPS) deve pedir o arquivamento das apurações no Legislativo em relatório pela Comissão de Fiscalização que será apresentado amanhã.

Contudo, o apontamento de diversas irregularidades no contrato da prefeitura com a empreiteira pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) voltou a acirrar os ânimos dos parlamentares. Oito deles, aliás, já haviam assinado pedido para a instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI), faltando apenas uma adesão para viabilizar a investigação.

Como já noticiado, por meio de uma ata de registro de preços de R$ 4 milhões para a contratação de reparos e pequenos reparos em prédios da Secretaria de Educação, a administração contratou mais de R$ 12 milhões em serviços junto à construtora, que atuou em obras de diversas pastas do governo e, segundo o TCE, executou “verdadeiras obras de engenharia”, com demolição integral de  prédios e construções de escolas municipais.

O pagamento de salários acima do subsídio do prefeito a médicos da rede municipal também deve ser pautado pelos parlamentares. No ano passado, o teto foi ultrapassado em R$ 3,5 milhões.

O caso acontece em função dos plantões extras cumpridos pelos médicos. O TCE, no entanto, apontou irregularidades e o governo não tem uma plano B para garantir a manutenção dos atendimentos e não afastar ainda mais os profissionais dos plantões.