08 de julho de 2026
Geral

Forte calor marca a Revirada Cultural

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O calor escaldante castigava o já seco gramado do Vitória Régia, mas a temperatura foi até alento, paradoxalmente, para que bauruenses deixassem suas casas para “beber” da cultura de várias matizes musicais ontem, na edição deste ano da Revirada, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura e que terminou neste domingo.

O mesmo poder público que não consegue fazer o líquido potável chegar às torneiras é o que, em outra vertente, oferece opção de lazer com muita música no domingo. A Revirada Cultural começa a desenhar sua identidade no palco montado no Vitória Régia.

Assim foi o roteiro do jovem André Rodrigues, estudante universitário de serviço social e morador na Vila Industrial. “Eu estava pedalando na Getúlio Vargas e soube do som aqui no Vitória Régia e desci para cá com a bike. Ficar em casa não dá. Primeiro porque não tem água e não é só hoje. Prefiro ouvir música e tomar um refrigerante aqui para passar o domingo”, disse.

Para o comerciante Jason Francisco, vendedor ambulante, a Revirada veio em boa hora pelo calor e, claro, pelo faturamento. “Em casa está faltando água, no Jardim Prudência. E já que o domingão está tão quente, melhor vir aqui para o Vitória, montei minha barraca, vendo uns sucos e umas cervejas, faturo algum troco e ouço música de camarote”, disse, enquanto apreciava um gole de cerveja.

Sarrista pela própria natureza, Jason brincou: “Hoje eu vendo aqui, tomo uma cervejinha e ouço  música. Mas amanhã espero não ter de bater na porta da casa do prefeito para pedir a gentileza de emprestar o banheiro para um banho. Porque na minha casa não tem água todo dia e são seis pessoas por lá”.

Perto dali, no gramado do Vitória, Gabriella Lima passeava com sua poodle Jolie, de dois anos, ao lado de Graziela Neri, esta com a labradora Naomi. No Jardim Rosa Branca o abastecimento está sendo mantido com regularidade graças ao poço do DAE no Parque Santa Edwirges, que atende a região. “Por lá temos água, mas é preciso que as pessoas percebam a gravidade do problema, da escassez, e economizem. Todos têm de colaborar”, sugeriu.

Internacional

Sentadas à sombra, do lado direito, a uns 80 metros do palco, as estudantes Odis Sabrina Cabrera Sorianco e Yessica Rodrigues se divertiam com as canções da banda gospel que tocava sob o sol forte de quase meio-dia, ontem.

Odis é da República Dominicana, onde há água por todo lado. “Estou há quatro meses no Brasil. Bauru é uma cidade tranquila, gostosa, mas aqui é muito calor também mas sem mar. Em meu País tem água em todo lugar”, comparou, em brincadeira.

Sua colega, Yessica, da Venezuela, e tal qual Odis, estudante de odontologia em Bauru, gostou da Revirada. “Em meu País, esses eventos musicais ao ar livre não são comuns. Gostei muito e acho uma ótima opção para a população. Está muito calor, mas o Parque aqui é gostoso. Nós viemos para cá pelos ouvidos, porque o som dá para escutar de nossa república, perto daqui”, comentou.

Apesar do evento, a acessibilidade irritou uma moradora. Com o irmão cadeirante ela reclamava de obstáculos para circular pelas barracas, nas calçadas.