10 de julho de 2026
Geral

Chuva para, mas clima fresco mantém Batalha em operação

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

As chuvas que atingiram Bauru ontem e anteontem contribuíram, minimamente, para o reabastecimento do Rio Batalha. E a má notícia é que, segundo a previsão, só haverá mais precipitação na cidade a partir do próximo fim de semana (leia mais abaixo). Contudo, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) conta com outra ajuda. As temperaturas mais amenas reduzem o consumo do líquido e, consequentemente, mantêm a lagoa de captação do manancial em operação.

No fim da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da autarquia informou que o nível do Batalha atingiu 1,19 metro e funcionava com duas bombas. O número de reclamações e pedidos de caminhões-pipa pode ser considerado baixo se comparado com o que foi registrado na semana passada. Na última quarta-feira, foram 192 solicitações. Ontem, o DAE havia computado 79.

Conforme o JC publicou na edição desta segunda, os bairros da região central deveriam ter água, seguindo os critérios do rodízio (veja cronograma na ilustração ao lado). Contudo, o JC continuou recebendo reclamações de falta d’água em ambas as regiões, principalmente de moradores da Vila Souto e do Parque Real, na região da Vila Falcão/Bela Vista, que estão sem água há dias.

Este é o caso de uma bauruense que preferiu não ser identificada. Ela trabalha em uma residência localizada na rua Antonio Euclides Ribeiro, no Parque Real, como doméstica e balconista de um bar na parte da frente da casa. O endereço está há quatro dias sem sequer uma gota d’água. “Fiquei sabendo que o DAE desconta R$ 5,00 das contas quando solicitamos caminhões-pipa”, afirma. A assessoria da autarquia, no entanto, rebateu que nada é cobrado.

Queixas

Outra reclamação que o JC recebeu ontem foi do funcionário público Marcos Antonio Machado Ballaminut, 53 anos. Sem água desde terça da semana passada, ele, a esposa e a filha praticam uma “economia de guerra”.

Como o reservatório da casa é de 3 mil litros, eles só ficaram sem água anteontem. “Tivemos de comprar um caminhão-pipa para abastecer a caixa d’água e um galão de água mineral com o intuito de cozinhar e lavar a louça”, descreve.

Marcos diz que viu um caminhão-pipa do DAE trafegando pela região e pediu para que enchesse o reservatório de casa. Contudo, a autarquia não permite o abastecimento de caixas d’água em cima das casas.

A assessoria de imprensa do DAE explicou que demandaria muito tempo para encher os reservatórios de todas as casas. Os moradores têm de adquirir água com o auxílio de recipientes. Só em escolas e hospitais, prioridades do DAE, as caixas são abastecidas.


E quando vai chover?

De acordo com o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru João Carlos Figueiredo, as temperaturas ficarão mais amenas por conta da passagem de uma frente fria oriunda do Sul do País. Para hoje, a mínima deverá ser de 17 graus e a máxima, de 29. “Só terá chuva no próximo fim de semana e há possibilidade de ocorrerem tempestades”, acrescenta.

Uma nova frente fria, portanto, fará com que as chuvas retornem com força total a partir do próximo sábado.

Anteontem, foi registrado apenas 1,3 milímetro de precipitação em Bauru. Ontem, até o fechamento desta edição, não havia registro de chuva. Porém, segundo o meteorologista João Carlos Figueiredo, chegou a chover na zona rural da cidade, mas foi bem pouco. “Não temos como medir, mas estimamos que choveu cerca de 5 milímetros”, diz.


Em meio à seca, os moradores se tornaram ‘fiscais’ do desperdício

O desperdício de água dentro do contexto atual de seca faz com que moradores se tornem “fiscais”, ou seja, repreendendo e denunciando atitudes de abuso. Este é o caso de uma moradora da região central da cidade. Na manhã de ontem, ela, que pediu para ter a identidade preservada, entrou em contato com o JC e, inconformada, disse que um vizinho lavava o quintal e a calçada diariamente.

O JC entrou em contato com o homem que utilizava uma mangueira para limpar a casa e ele negou que o faz todos os dias. “São duas ou três vezes por semana, porque a casa inteira fica suja”, justifica. Constrangido, ele assumiu que errou e disse que não repetirá.

Já outros “fiscais” do desperdício denunciaram vazamentos de água. O primeiro caso está na quadra 7 da rua Arlindo Fidelis, na região do Jardim Ferraz. A assessoria de imprensa do DAE afirmou que uma equipe da autarquia seria deslocada ao endereço ontem e, se constatado afundamento da via ou desperdício grande, os reparos seriam feitos antes da próxima sexta-feira.

Outra reclamação veio do Parque Vista Alegre, na quadra 1 da praça Diogo Hojas Barraco. Um morador contou que o desperdício formou um buraco na via. O DAE disse que uma equipe foi até o endereço, mas constatou que o volume de água desperdiçado não é tão grande diante de outros locais e os reparos serão feitos até a próxima sexta-feira.